Quarta-feira, 23 de setembro
Ontem fez um ano que nos mudamos do ranchinho da costa do Jaguarão para a Estância do Berachi. Enchemos o carroção do João Carlos, filho do Cantalício, com os nossos trastes e, depois do almoço, montamos a cavalo, às pressas.
A Lina e o Joaquim vinham na frente comigo. Eu levava uma trouxa com os melhores chapéus do Papai, da Mamãe, do Bozano e o meu.
Depois vinham o Kleemann, o Medina, seu Arides e, por fim, o Papai e a Mamãe.
Cada um carregava o que podia. Além dos chapéus, eu trazia um mata-moscas, duas bengalas e uma saia, amarrada nos tentos.
Os banhados estavam alagados. Tivemos de dar grande volta para não atolarmos. Diante de nós ia um homem conduzindo o rebanho de ovelhas de que nos sustentamos no rancho.
O Francisco Azeredo tocava por diante, ao lado, as cinco vacas que ordenhávamos.
Bem atrás, avistávamos o João Carlos, com a sua grande carroça, onde vinham nossos mulambos.
Parecia uma daquelas viagens que os patriarcas da Bíblia faziam.
Fonte: Assis Brasil, Cecília. Diário de Cecília Assis Brasil, org. por Carlos Reverbel. Porto Alegre, L&PM, 1983, p. 87.
Capa: L&PM Editores sobre foto do Castelo de Pedras Altas, Rio Grande do Sul.
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