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domingo, 7 de abril de 2024

Receptor Digital de Ondas Curtas

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Nesta página você pode ouvir e controlar um receptor de ondas curtas localizado no clube de rádio amador ETGD da Universidade de Twente 

Crédito para a imagem: http://websdr.ewi.utwente.nl:8901/IMG_5947a.JPG

Relação de emissoras e frequências em Ondas Curtas:

http://www.sarmento.eng.br/Prog.htm  

Acesso 07/04/2024


terça-feira, 7 de junho de 2022

Memórias de Rádio e TV (Cláudio Brito)

 

Eu gostava muito do estilo do Sérgio Moraes, das suas frases tipo: “Lá onde a coruja dorme”.


Existem alguns momentos inesquecíveis do rádio, como por exemplo, o Sérgio Moraes, no campo do Grêmio com o Biscardi, um castelhano massagista. Na época os massagistas usavam um abrigo com a letra M, que significava massagista.


Numa decisão, um jogador do Grêmio caiu na beira da pista e o Biscardi está jogando água no rosto do jogador. Na época, dizer a palavra “cara” no ar seria ridículo, então ele disse: “atenção, Resende, o Biscardi está jogando água na fisionomia do jogador”. Isso é do folclore e é verdadeiro.


Também posso contar uma minha.


Num fim de semana, trabalhando na TV Gaúcha, estava apresentando o programa Espetáculos Esportivos que tinha o patrocínio da Goodyear e da Cinzano. O programa mostrava os teipes dos principais jogos da semana, resultados da Loteria Esportiva e os páreos do Hipódromo do Cristal.


Então, quando dava o intervalo, o apresentador tinha de sustentar, ao vivo, esse intervalo, para trocarem o rolo de VT. Quando o assistente do estúdio te dava o sinal e pedia para chamar o gol, o técnico tinha de dar oito segundos para ajeitar a fita.


Eu chamei duas ou três vezes um gol do Alcindo contra o Siderúrgica, e o VT não rodava nunca. Quando, finalmente, desencavou aquilo, eu disse assim:


E agora então continuamos nossas apresentações num oferecimento de Goodyear, o melhor vermute do mundo, e Cinzano, o pneu que dura mais”.


Quando cheguei no bar do Calofo eu não tinha nem me dado conta do que disse, mandaram me dar um Goodyear bem gelado!


Fonte: Coiro, José/Grabauska, Cléber. Sala de redação: a divina comédia do futebol. Porto Alegre: L&PM, 1998, p. 189.




Capa: Ivan Pinheiro Machado sobre ilustração de Edgar Vasques

Paulo Sant’Ana

 

Eu fui um menino aqui do bairro Partenon, onde hoje é o Presídio Central. Eu era o vagabundo dos campos. Aquilo ali era uma fazenda, tinha mato, tinha pássaros das mais variadas espécies, tinha vacas, Eu andava no cipó, comia amora, pitanga, araçá, ameixa silvestre. Aquilo era um paraíso. Aqui dentro da cidade, eu morava no meio do mato. Eu morava numa casa boa, de alvenaria.


Tudo que eu sou na minha vida, de defeitos e virtudes, acontece porque eu não tive mãe. Minha mãe morreu quando eu tinha dois anos somente. Portanto, tudo o que sou de mau e de bom se deve ao fato de eu não ter minha mãe ao meu lado.


Depois eu vim aqui para a Azenha, isso quando eu já tinha uns 15 anos de idade, mais precisamente na rua 20 de Setembro esquina com Barão do Triunfo. Aquilo ali era a Esquina do Pecado. Ali se juntava 30, 40 rapazes e jogávamos pif-paf, dadinho e brincávamos. E foi ali que eu aprendi a discutir futebol. Frequentavam a esquina o Dilamar Machado, o Marco Aurélio Garcia.


Nesse tempo, eu fui baleiro no Cinema Castelo e depois Cinema Avenida. Também vendi pastéis nos quartéis da Brigada Militar e, depois, eu fui feirante por cinco anos. Eu armava a barraca perto das cinco horas da manhã e vendia balas, bolachas, bombons, tudo isso numa tenda do quarto grupo de feira livre.


Trabalhei como auxiliar de caminhoneiro, indo a São Paulo buscar doces e balas para vender em todo o interior do estado.


Fiz concurso para inspetor de polícia; aprovado, trabalhei em Tapes, Arroio dos Ratos, Triunfo e São Jerônimo. Em Porto Alegre, trabalhei com o fiscal Elpídio, fazendo a ronda noturna pelos botecos da Voluntários da Pátria.


Mais tarde, me elegi vereador, fiz o curso de Direito e, através de concurso, fui ser delegado de polícia.


Falando em concurso, aconteceu um fato muito interessante. Eu fui reprovado num concurso interno, como inspetor, e no concurso externo, para delegado, em que existiam 324 candidatos, eu tirei primeiro lugar. Dá para entender isso?


E foi essa a minha vida, de feirante, de baleiro, de pasteleiro, de policial e de jornalista.


E o que é o jornalista senão um vendedor de balas, pastéis e guloseimas para seus leitores e ouvintes?


Fonte: Coiro, José/Grabauska, Cléber. Sala de redação: a divina comédia do futebol. Porto Alegre: L&PM, 1998, p. 123/127/128.




Capa: Ivan Pinheiro Machado sobre ilustração de Edgar Vasques

Ruy Carlos Ostermann

 

Antes, o comentário era uma coisa bastante intuitiva, subjetiva, retilínea. Ninguém anotava muita coisa. As coisas mudaram depois que eu criei a planilha. A planilha é criação minha. Isso aconteceu em 1962.


Eu uso um caderno e nele coloco o local do jogo, a data, o horário do início do jogo, os times. Embaixo, se deixa um espaço para colocar as substituições e os arremates a gol e para, através de algum sinal, tu fazeres a distinção daquilo que foi feito com os pés.


Então, com o advento da planilha, surgiu uma coisa assim: o Internacional arrematou 14 vezes a gol, e o Grêmio, 16. Isso não existia antes. Ninguém anotava, não tinham uma planilha para isso.


Foi daí que as pessoas começaram a notar que o meu discurso era diferente do dos demais colegas. É por isso que o Lauro diz que sou um divisor de águas.


Em parte o meu apelido de professor decorre dessa minha frase didática, enfática e repetitiva. Eu faço comentários circulares, não os faço de forma linear. Eu vou até um ponto e depois volto e assim vou sucessivamente, até porque é assim que se aprende. Faço um processo de repetição, não com as mesmas palavras.

Fonte: Coiro, José/Grabauska, Cléber. Sala de redação: a divina comédia do futebol. Porto Alegre: L&PM, 1998, p. 108.




Capa: Ivan Pinheiro Machado sobre ilustração de Edgar Vasques

Sala de Redação por Ruy Carlos Ostermann, 1998

 

O programa Sala de Redação é a reunião de pessoas com personalidades fortes e que advêm de campos diferentes do conhecimento e campos diferentes de experiência. Essas pessoas são colocadas em torno da mesa, sem pauta, sem organização alguma, para ficarem aí cerca de uma hora, durante cinco dias da semana, ao longo do ano.


E ficam a conversar e debater sobre uma coisa apaixonante e contraditória que é o futebol. Então, é inevitável que haja desavenças, até pessoais, mas sobretudo de ordem conceitual, ideológica, de pontos de vista.


No Sala há muito “chutômetro”, há muita opinião, há muito isso, há muito aquilo. Essas coisas são contraditórias e entram nesse conjunto.

Fonte: Coiro, José/Grabauska, Cléber. Sala de redação: a divina comédia do futebol. Porto Alegre: L&PM, 1998, p. 100.




Capa: Ivan Pinheiro Machado sobre ilustração de Edgar Vasques

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Inacreditável (Programa Sala de Redação 29/05/1998)

 

SANT’ANA: (…) Em Capão Novo, uma das nossas praias aqui do litoral norte, ontem aconteceu o seguinte: o posto de saúde estava fechado e havia um aviso estampado na porta principal: “Fechado por motivo de doença”.


(…) Professor, eu, em Florianópolis, passei por uma funerária, de automóvel. Na parede do prédio tinha um enorme cartaz que dizia assim: “Funerária Caminho do Céu”. Então, parei o meu carro, desci e me aproximei. Um cartaz menor, colado na porta, dizia: “Fechado por motivo de falecimento do proprietário”.


LAURO QUADROS: O Sant’Ana tem mania de ler coisas absurdas. Hoje de manhã ele fez o seguinte: eram 7h25min quando ele entrou no programa do Rogério Mendelski.


KENNY: Então, Lauro, tu és um ouvinte fiel do Rogério Mendelski?


LAURO: É isso mesmo. Eu ouço só para me irritar, o Rogério sabe disso.


SANT’ANA: Pois o Rogério me disse que assiste ao programa do Lauro na TVCOM, o Estúdio 36, também para se irritar, pra dormir mal, tudo por puro masoquismo.


LAURO: Mas, voltando ao assunto, o Sant’Ana disse assim: “Entrei numa tabacaria em Turim, na Copa de 1990, comprei uma carteira de cigarros e, quando fui acender, o meu cigarro, o cara da tabacaria disse: ‘Fumar aqui, não!’ Isso mesmo. O cara falou: ‘Vetato fumare’.” Isso é inacreditável! Mas inacreditável mesmo foi o que eu vi aqui em porto Alegre. Um cara foi na farmácia, comprou uma camisinha-de-vênus e queria experimentá-la dentro da farmácia.


RUY: Acredite se quiser…


SANT’ANA: Eu contei que um motorista na estrada de Florianópolis fazia sinais. Seu caminhão estava parado no acostamento e ele parecia desesperado. Na parte traseira existia um letreiro grande com os seguintes dizeres: “Cuidado! Inflamável! Óleo diesel.” Então, eu parei meu carro e fui lá falar com o motorista.


- O que é que houve, meu filho? Por que estás parado na estrada?


- Faltou óleo diesel, meu senhor… (Risadas do grupo do Sala.)


Em Passo Fundo, entrei numa churrascaria enorme, parecia a churrascaria Mosqueteiro ou quem sabe a Nova Bréscia. Na parede, um enorme cartaz, havia um conselho da secretaria da saúde que dizia: “Não comas carne vermelha. Faz mal à saúde”. Isso é uma coisa inacreditááávelll!


Finalmente, em Sapucaia, na porta de um banco existia um cartaz que dizia assim: “Este banco não se responsabiliza pelos valores aqui depositados”. (Risadas gerais.)


E Sant’Ana gritava: É inacreditááávelll!


LAURO: Nas garagens aqui de porto Alegre, têm enormes letreiros dizendo que não se responsabilizam pelos automóveis lá guardados.


SANT’ANA: Não ouvi toda a história, mas parece que o Rogério Mendelski contou que em Lisboa o presídio fica na rua da Liberdade. E parece que lá existe um parque onde todo mundo faz cooper, caminham na mais plena liberdade, todo mundo muito alegre, e o parque se chama Parque da Opressão.


RUY: Pois em Lisboa, numa praça, existia o seguinte aviso: “Não pise na grama. Se não souber ler, pergunte ao guarda”.


KENNY: Mas isso aí que o Rogério falou não é inédito. O presídio mais temível e terrível da ditadura uruguaia, onde todas as pessoas que eram contra o regime eram massacradas, esse presídio se chamava Libertad.


LAURO: E o caminho certo para o hotel São Domingos, no Recife, onde se hospedava a Seleção Brasileira do João Saldanha, o caminho certo era a Rua do Hospício.


RUY: Outro dia, eu fui estacionar meu carro numa garagem aqui, bem próximo da Zero Hora. Dirigindo-me para a rádio, caminhando, vi o primeiro, o segundo e o terceiro carros, todos com seus vidros quebrados para levarem os rádios e toca-fitas.


SANT’ANA: Professor, agora vou lhe contar o que aconteceu naquele estacionamento que fica na rua Zero Hora, passando as oficinas. Eram 20h01min. Eu e mais 12 pessoas fomos buscar nossos carros nesse estacionamento. Pasmem! O portão do estacionamento estava fechado com um baita cadeado. O funcionário tem ordem expressa de fechar às oito horas em ponto, por causa da falta de segurança. Mas eu fico até as três horas da manhã escrevendo. E então? Pois, voltando ao assunto, o guarda do estacionamento puxou um gigantesco molho de chaves com 48 chaves, experimentou uma por uma, e nós ali aguardando. Sabem o que aconteceu? Nenhuma das chaves abria o cadeado. Inacreditááávelll!


Fonte: Coiro, José/Grabauska, Cléber. Sala de redação: a divina comédia do futebol. Porto Alegre: L&PM, 1998, p. 37/40.




Capa: Ivan Pinheiro Machado sobre ilustração de Edgar Vasques

sábado, 8 de fevereiro de 2020

O desafio dos dois minutos (Rodrigo Ramos, para Coletiva.net)

(...) O caráter público do ofício do jornalista, especialmente no que concerne o trabalho final que chega aos consumidores, é dado como algo simples de ser feito. Algo que qualquer um poderia se habilitar a fazer. Nessas horas me remeto a um causo do comentarista esportivo João Garcia. Em seus tempos de rádio Bandeirantes ele teve de encarar um ouvinte raivoso que se achava mais preparado que os analistas de futebol da casa para debater o esporte.

O tal ouvinte chegou ao ponto de ir à sede da Band em Porto Alegre pedir para integrar a equipe de esportes da rádio para desmascarar aqueles "impostores". Pois bem, Garcia interveio e pediu que ele gravasse um comentário de dois minutos e que se ficasse bom eles iriam conversar melhor. O ouvinte ficou surpreso e atordoado. JG o encaminhou para um banheiro desocupado para que ele tivesse privacidade e uma boa acústica. Passada meia-hora, o futuro comentarista desistiu deixando um material de 30 segundos pontuado por muitas gaguejadas e nenhuma frase completa.

Rodrigo Ramos é comunicador e escritor, com mais de uma década de atuação no rádio esportivo.

Fonte: http://coletiva.net/artigos-home/o-desafio-dos-dois-minutos,348697.jhtml
Acesso: 08/02/2020

Sete sílabas de terra vermelha (Paulo Bentancur)

  Montado em sete sílabas, Jayme Caetano Braun (1994 – 1999) não descuida um verso sequer o generoso horizonte da lírica repentista. O seu ...