Química
entre duas pessoas não tem explicação. Nem procedência. É
cláusula pétrea para o segundo encontro acontecer. Sem ela, o cara
pode ser facilmente perfeito, ter um bom papo, autonomia financeira e
outros atributos que, somados, o transformem na melhor opção. Mas
isso é matemática e estamos falando de outra matéria.
Química
é o descompasso da respiração, encaixe do beijo, ausência da
fala. Não há estudo que desvende a química. Não é preciso manual
de instruções, placas e setas orientando as ações. Química é o
piloto automático da paixão.
Não
há beleza que resista a uma forte sensação de vulnerabilidade. O
desejo sabe exatamente como resolver essa equação. E a solução
usa a fórmula dos sentidos. A química no amor é composta por tato
e olfato. O cheiro e o toque estimulam nossas reações e o resultado
é uma ebulição de prazer.
Sem
química, não há o começo. A química acorda o instinto, por vezes
adormecido. Com química, o sentimento permanece vivo, mesmo após um
longo tempo. A química é o alimento da relação. O amor não é
uma ciência exata, mas sem química, ele não sobrevive.
Garcia,
Chico. Mulheres de Moletom e Outras Crônicas. Chiado Editora: São
Paulo, 1ª ed., p. 23