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quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Bonpland y yerba (Valeria Trápaga)

 



En 1817, invitado por Rivadavia, se instala en Argentina Aimé Bonpland (1773-1858), naturalista francés apasionado por las ciencias naturales, que junto con Alexander von Humboldt había efectuado un viaje exploratorio a América en el cual obtuvieron datos zoológicos, botánicos, mineralógicos, geográficos, paleontológicos y astronómicos. Bonpland, incitado por Francisco Ramírez, en 1820 se estabelece en Misiones, donde funda la colonia Santa Ana y lleva a cabo los primeros estudios científicos sobre la yerba mate, gracias a los cuales se revela la verdadera importancia del cultivo.

Decidió entonces hacer plantaciones con la ayuda de los nativos y fue él quien logró descubrir el secreto de la germinación. Advertido de su potencialidad económica se propuso desarrollar la explotación yerbatera. Pero en aquel momento la comercialización de la yerba mate era un monopolio del Paraguay y, como la colonia fue establecida sin permiso del gobierno paraguayo, el dictador supremo José Gaspar Rodríguez de Francia, temiendo la competencia, manda quemar los pueblos jesuíticos de la costa del Paraná y Misiones se convierte en un desierto. También ordena detener a Bonpland, lo interna en Santa María de la Fe durante diez años y dispersa a los indios que trabajaban a su lado.

Fonte: Trápaga, Valeria. El mate en cuerpo y alma. Buenos Aires: Ediciones Larivière, 2020, p. 35/36.

Disponível: https://www.abebooks.com/servlet/BookDetailsPL?bi=31624366325&cm_ven=sws&cm_cat=sws&cm_pla=sws&cm_ite=31624366325&clickid=yZzUaC3tnxyPTWsXFdRED1i%3AUkFW%3AV2OZ2FC140&cm_mmc=aff-_-ir-_-353196-_-77798&ref=imprad353196&afn_sr=impact&ref_=aff_ir_353196_77798

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O Amado (Adroaldo Furtado Fabrício)




O nome do naturalista René Bonpland é mais conhecido sobretudo em ligação com o de Alexander von Humboldt, de quem foi companheiro em suas andanças, pesquisas e aventuras pelo Brasil-colônia, em torno de 1800. Viajavam e trabalhavam juntos, inclusive, quando foram presos por uma guarnição militar portuguesa no coração da Amazônia e tiveram apreendido todo o seu equipamento, permanecendo sob custódia por vários meses, até que se convencessem os lusos da natureza inofensiva das atividades a que se dedicava a dupla. Não é de se estranhar, aliás, que levantassem as piores suspeitas aqueles dois estrangeiros malucos, a vagar pelos confins da floresta virgem com sua aparelhagem esquisita, examinando bichos e plantas.

Mas parece que René Bonpland não era seu verdadeiro nome. Chamava-se realmente Aimé Jacques Alexandre Goujand, nascido em La Rochele em 1773. Depois de sua acidentada parceria da juventude com Humboldt, voltou à França, onde exerceu funções públicas de certa importância (consta que chegou a ser Intendente dos Domínios da Imperatriz Josefina). Mas sua vocação andeja revelou-se mais forte: ele retornou ao Brasil na década de 1820, iniciando aqui seu talvez mais longo período de relativo sedentarismo, que se prolongou até a sua morte, em 1842. Veio acompanhado de quatro jovens, das famílias Brandon (depois e aqui Brandão), Jacques e Balbé, cujas numerosas descendências são bem conhecidas no Estado e particularmente na região missioneira.
O que tem isso a ver com Bossoroca? Pois foi à margem do rio Piratinim, perto da desembocadura do Lajeado Godói – portanto, em terras hoje pertencentes a esse Município – que o andarengo incorrigível finalmente deitou raízes, ou pelo menos reduziu o raio de suas incursões. Na região, ficou conhecido como Amado Bonpland (o que parece confirmar o prenome francês Aimé), estabeleceu excelentes relações com a população local, praticou caritativamente a medicina e ganhou a irrestrita simpatia de todos, ricos e pobres. Segundo a tradição oral colhida e perpetuada por Monsenhor Estanislau Wolski em sua Polianteia Missioneira, Bonpland manteve essa residência até cerca de 1835, quando se transferiu para uma chácara nos arredores da cidade de São Borja. Aí terminou seus dias em 1842.

Durante todos esses anos, mais de vinte, mesmo abstendo-se de viagens mais longas, nunca deixou de embrenhar-se frequentemente pelas matas da região, movido pela compulsão da pesquisa e do estudo de campo. Permanecia dias, semanas ou meses acampado, só ou na companhia de poucos companheiros, identificando e comparando espécies animais e vegetais. Nunca mais voltou à sua Europa natal, e seus restos mortais repousam num cemitério de Libres, Argentina, para onde seu corpo foi conduzido embalsamado, por razões desconhecidas.

Fonte: Fabrício, Adroaldo Furtado. Causos da Bossoroca e de outras querências. Porto Alegre: AGE, 1999, p. 120/121

EBOOK NOSSO PAMPA DESCONHECIDO (Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul)

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