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terça-feira, 24 de março de 2026

Sagamorosa/Gabriely Santos - Destaques

 


Amor é essa coisa que começa de quase nada e termina de quase tudo.

Estamos todos nessa mesma luta, talvez precisemos todos concluir que somos apaixonados e apaixonantes – só os ‘quens’, quandos, os quês e porquês variam… que possamos tentar sofrer menos um pouco. Ou, pelo menos, sobreviver, porque morrer de amor saiu de moda depois do século XVIII.

O engraçado é como as palavras são tudo e podem não significar nada.

Nada nunca é repentino, tudo é repetido, decorado e desgastado.

...todo mundo e Proust sabem que os verdadeiros paraísos são os paraísos perdidos.

O ser humano existe diante do outro e é o que é por causa desse outro.

… não foi Shakespeare que disse que lembrar é fácil para quem tem memória, esquecer é difícil para quem tem coração?

E sempre pode ser só uma crise. É preciso se perder para se encontrar, diz o clichê.

Precisamos dessa ilusão de que o mal é o outro, o estranho, não quem tá perto; é sempre o país vizinho, o sexo do outro ou o que o outro faz com esse sexo, a cor de sua pele, a sua classe social. O mal tá nele, no diferente. Assim, continuamos idiotamente fechando os olhos pros erros de quem consideramos nossos iguais para cultivarmos ódio do que é diferente, ao invés de, comparar e questionar e encontrar o mal em nós mesmos, pra entender que tá todo mundo errando e acertando o tempo todo.

Porque as pessoas e coisas só importam enquanto existem ali na função de te amar ou entreter, depois elas somem em suas próprias histórias.

Odiamos o não. Durante grande parte de nossas vidas ele representa o paraíso negado, a delícia destruída, o delírio desmontado em dilúvio. O não é o grande fim da trajetória do nosso desejo. Odiamos com amor e desprezo a boca que nos desfere essa palavra. Independente de seus motivos.

Fonte: Santos, Gabriely. Sagamorosa: camaleões. Curitiba: Eu-i, 2023, p. 11/13/17/58/59/74/81/96/133.

Capa: Jéssica Iancoski



domingo, 8 de maio de 2022

Busca (Gabriely Santos)


(…) a procura só nos deixa mais parecidos com o que precisamos encontrar até que, no fim, nos tornemos um espelho do que queremos viver pra outra pessoa e então nos percamos em reflexos e reflexões.



Fonte: Santos, Gabriely. Mistura misteriosa de mentiras mesmas. Porto Alegre: Muruci Editor, 2016. O momento antes da tempestade, p. 45

EBOOK NOSSO PAMPA DESCONHECIDO (Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul)

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