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quinta-feira, 18 de junho de 2026

LP MOSTRA FARROUPILHA DE NATIVISMO

 

LADO A


1 ONTEM E HOJE***

(Sérgio Napp, Fernando Cardoso e Jair Luiz Kobe)

Elaine Geissler e Elton Saldanha

Representante da Região de Porto Alegre


2 CANTO FARRAPO*

(João Antônio Quintana Vieira e Percival Fernandes)

João Quintana Vieira e Grupo Parceria

Vencedora da Região de Uruguaiana


3 ANSEIOS DE LIBERDADE*

(Harry Carlos Oliveira Rosa)

Harry Carlos Oliveira Rosa

Vencedora da Região de Pelotas


4 PEÃO FARRAPO*

(Jorge Nicola Prado)

Ivonir Machado e Os Garotos de Ouro

Vencedora da Região de Cruz Alta


5 TERRA*

(Marco Araujo e Francisco Mattos)

Marco Araujo e Grupo, com o Coral da FURG

Mais Popular da Mostra (Rio Grande)


LADO B


1 IMAGENS AOS FARRAPOS*

(Luiz Sérgio Metz, Carlos Leonardo Costa Lehman, Larry Silveira e Fio.)

Carlos Leandro Costa Lehman e Sérgio Jacaré

Vencedora da Região de Santa Maria


2 CHÃO FARRAPO*

(Flaubiano Silveira Lima, Maryse Beider e Mauricio Machado da Silveira)

Antònio Augusto Xavier e Grupo Candieiro

Vencedora da Região de Passo Fundo


3 ESSÊNCIA DE RAÇA*

(Guilherme Loreiro de Souza e Artur Oscar Loureiro de Albuquerque)

José Armando C. Carreta e Grupo Desponte

Vencedora da Região de Bagé


4 GRITO DE GUERRA*

(Sérgio Carvalho Pereira e Eduardo Carvalho Pereira)

Luis Rogério Marenco Ferran e Grupo Seiva da Terra


5 HERÓIS DO PASSADO**

(José Oliveira Mattana e Luiz Antônio Pereira)

José Oliveira Mattana e Grupo Os Nativos

Vencedora da Região de Caxias do Sul


6 A SEMENTE DE VIDA E PAZ*

(Luciamo B. Menegati)

Marco Anéris, Neiva Piazzon e Grupo

Vencedora da Região de Erechim


Ficha Técnica


Direção: Claro Gilberto

Produção: Alda Nunes

Coordenação: Darcio Silva Castro

Assistente de Produção: Décio Decusati

Assistente de Coordenação: Paulo Fortes/Rose Silva


Criação da Capa e Arte-final: Julio Ghiorzi

Fotos: Leonel Tedesco

Gravações: * Boby Som/Santa Maria

** Eger/Porto Alegre

***Isaec/Porto Alegre


409.6073

RBS DISCOS

SIGLA

SISTEMA GLOBO DE GRAVAÇÕES ÁUDIO-VISUAIS LTDA.

CGC-MF: 34162651/0001-08 – Censura: Protocolo Geral Nº 4129

Fabricado/Distribuído por RCA Eletrônica Ltda.

Av. Engenheiro Billings 2227 – São Paulo-SP

CGC nº 61126074/0002-44 - SCDP-DPF-001/69-SP

Indústria Brasileira – Disco é Cultura





quinta-feira, 15 de junho de 2017

O Autor Luiz Sérgio Metz (Sérgio Jacaré)



Nasci em Santo Ângelo, no inverno de 1952. Meu grande sonho era permanecer analfabeto, se não fosse A mãe, do Górki, lá pelos quinze anos, me meter no coração uma certa senda proletária, igual a de meu pai.

Decorre daí que iniciei Filosofia, na Universidade Federal de Santa Maria. Por
um erro de computador e matrícula, acabei formado em Jornalismo.

Um grande equívoco de Martins Livreiro fez com que publicasse o livro de contos O primeiro e o segundo homem.

Tenho participado de várias lutas como já o fiz no movimento estudantil e político em Santa Maria e Santo Ângelo, todas em defesa da dignidade humana, da liberdade e da igualdade, todas visando o fim da exploração do homem pelo homem.

Gosto de poesia e tenho escrito alguns versos, alguns versos que foram musicados.

Gostaria de ser enquadrado na escola ou na corrente ou na vertente dos que escrevem versos cubo-futurista-nativista.

Tenho uma certeza na vida: viver é para os desiludidos. Viver é ser utópico.

Hoje trabalho, como assessor da diretoria, no Sindicato dos Bancários de Porto Alegre.  

Fonte: Revista Tarca – ANO III – Nº 15 – Julho 1986 – p. 07


Aureliano de Figueiredo Pinto (Luiz Sérgio Metz)


Era um homem culto, Aureliano, este menino que viajava parnasiano. Das visões das janelas do trem lembraria a fixação dos imigrantes italianos, povo que amou muito a ponto de aprender sua língua. O mesmo fez com os franceses. O mesmo com os ingleses. O mesmo com seus patrícios anexados, portenhos e
orientais. Dominava, como se houvesse nascido falando, a língua de Quixote e de dom Segundo Sombra, que conhecia como ninguém que nesta hora tivesse dez anos e estivesse pronto a fazer os primeiros voos parnasianos...


Imagino que Aureliano pagava o preço de sua dimensão à poesia. Ele sabia da grandiosidade que ela encerra e por isso o fúlgido e o imenso respeito a ela e aos poetas. Talvez seja o motivo de sua ira à notoriedade, que o levou a não publicar nada ou publicar tardiamente. Por certo comparava-se com seus atores preferidos. Talvez sofresse muito com isso. Talvez. Sua sina em reescrever sempre e incansavelmente um mesmo verso, a procura da palavra ou a própria fuga dela, o domínio do linguajar rude e o momento de empregar termos gaúchos ou espanholismos levaram-no a rabiscar papeis de toda a espécie e finalidade: receitas médicas, bulas, carteiras de cigarro, papel de embrulho, livros, cadernos escolares, postais, cartas...

Aureliano não era um homem do poder (Tu bem conheces meu sereno ‘sceptismo’ a respeito dos homens públicos deste país, escreve, em agosto de 1932, em carta a Antero Marques). O poder se ofereceu a ele, em dinheiro, tempo e condições de melhorar sua vida. Principalmente dinheiro e tempo. Ele poderia ser o sub do sub do sub no fundo da última vila, que o poder provavelmente pagaria para ele escrever e abandonar a medicina. Como bardo moderno, Aureliano sabia: o poder não cega fisicamente, mas coopta os artistas, que é cegá-los através da alma. Aureliano poderia dedicar-se finalmente aos livros. Recusou as propostas. E recusou na raiz: a iniciativa dos amigos neste sentido. Que barrou e impediu...

Ele deveria ser a ponte, mal ou bem. Falava, seguidamente, em relação a seus versos: “mau mas meu”. E registrou a voz de um homem diante seu assombro: O inverno. O sol. A dor. O prazer rápido, sempre fugidio, que um campeiro leva à sua garupa, ou pelo prazer é levado. A mulher e o homem, sempre fugindo, às pressas, da morte ou dos olhares, fugindo, para um fundo de rancho no fundo do mundo pequeno. Longe dos olhares de Cachucha, a que significava o tudo sempre igual. Longe de todos e de tudo. Cruz antiga. Chuva. Fogo do diabo. Relato de enforcado. Chimarrão da madrugada. Sesteada. Triste tarde. Filosofia de peão. Unha-de-fome...

Para conseguir estas duas entrevistas com Aureliano, um problema tinha de ser superado: onde localizá-lo, em que mundo? Em que região de país sonharia, com cuia e chaleira à mão, Aureliano? A geológica coluna ou lâmina do tempo calcada nas calçadas missioneiras lhe abriria espaço para passar? O espaço confabularia com o tempo para juntos talharem Aureliano contra o céu de nuvens vermelhas, e seu passo marcaria novamente a terra dos guaranis? Em que solidão ou multidão luminar ou subsolar o poeta declamaria suas gestas ao berçário das estrelas? Em que século estaria? 


Fonte: Coleção Esses Gaúchos, Editora Tchê / Revista Tarca – ANO III – Nº 15 – Julho 1986 – p. 07

Sete sílabas de terra vermelha (Paulo Bentancur)

  Montado em sete sílabas, Jayme Caetano Braun (1994 – 1999) não descuida um verso sequer o generoso horizonte da lírica repentista. O seu ...