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sábado, 12 de novembro de 2022

Alguns tweets de Deus (Leo Cardoso, @OCriador)

 

Eu não existo: Eu Sou! Existir predispõe começo e fim. Se existo, não sou Deus. E sou Deus! Entendeu? Não! Pois não pensa, logo, não existe!


Pare de Me perguntar qual é tua missão na vida. Eu não explico piadas.


Jesus te ama, mas aí na Terra quase todo mundo te acha babaca.


Profetas, por favor, substituam suas placas de “O fim está próximo” por “Esqueçam, é tarde demais”.


Em ano eleitoral, todo político que está ruim de voto apela para a fama de bom devoto.


Milagre não é andar sobre as águas, fazer cego enxergar ou curar aleijado. Milagre mesmo é fazer brasileiro aprender a votar.


O folheto de divulgação de campanha eleitoral se chama santinho porque é por isso que o político tenta se passar nessa época.


Quando vejo esses políticos ditos cristãos usando meu nome em vão, Eu fico feliz por não existir.


Candidatos que dizem “Se Deus quiser, serei eleito”, saibam logo: não, Eu não quero!


Jesus andava, com orgulho, entre ladrões e prostitutas. Mas morre de vergonha de se ver citado nos comícios desses políticos.


A maioria dos humanos só é verdadeiramente fiel a uma santa: a Santa Ignorância.


A Fé é diretamente proporcional ao grau de desespero.


Jesus tem um plano para todos. Mas, no seu caso, ele já está usando um plano B.


Pecadores que programam churrasco na Sexta-Feira Santa estão certos, afinal, é bom ir se acostumando com fogo, brasa e espeto.


Em 1500 a.C., Eu enviei a Moisés as Tábuas da Lei. Ou seja: 3500 anos depois, e vocês continuam falando “tauba”!


Adão e Eva eram brasileiros: não tinham o que vestir, apenas uma maçã para comer, sem casa para morar e a certeza de que estavam no Paraíso.


Capa: Desenho Editorial

Ilustração: Thiago Judas




Fonte: Cardoso, Leo. 365 tweets de Deus. 1. ed. São Paulo: Planeta, 2015, p. 31/39/48/56/104/153/161/164/165/169/206.

domingo, 6 de novembro de 2022

Fé (Leo Cardoso)

 

O grande problema é que, sobre esses assuntos metafísicos, nós perguntamos muito o porquê das coisas: por que estamos aqui? Por que morremos? Por que vivemos? E essas, nestes casos, são perguntas tolas.


Nós nunca saberemos os porquês: o universo é muito imenso para conseguirmos alcançar essas respostas. E viver é um privilégio muito grande para perdermos tempo com perguntas das quais nunca encontraremos as respostas.


A pergunta que devemos fazer é como. Como estamos aqui? Como morreremos? Como vivemos?


As religiões se predispõem a tentar responder tanto o porquê quanto o como. Mas nós, arrogantes que somos, nos atentamos principalmente aos porquês, e esquecemos do como.


O porquê terá sempre uma explicação dogmática, metafísica, mítica: por que eternamente condenados por um simples crime famélico de dois adolescentes pelados atentados por uma cobra falante? Porque Deus quis assim.


Mas o como é uma solução prática de Fé. Como devemos nos comportar perante próximo? Como devemos guiar nossos preceitos morais e éticos? Como resolver nossos dramas humanos?


Se pararmos de nos questionar sobre assuntos que seremos sempre incapazes de responder – sem recorrer a subterfúgios transcendentais, dada nossa insignificância perante o universo – e nos atermos a questões práticas dos nossos relacionamentos, nossas soluções, como seres humanos, podem surgir.


E as religiões deveriam buscar isso. Não importa se você vê Deus em Jesus ou numa vaca, o que importa é o que você faz com o Deus que você vê. Isto é o que aproxima o homem de Deus, e não a religião.


Os textos sagrados de todas as religiões, pelo menos das que eu já ouvi falar, pregam a mesma coisa: o amor. E esse amor não é – ou pelo menos não deveria ser – uma utopia, um delírio contemplativo autorreferencial ou uma conspiração capitalista criada por floricultores gananciosos.


O amor é o princípio da Fé, e não de uma Fé puramente teórica e espiritual. A Fé é a hipótese normativa do amor. O amor é a Fé posta em prática.




Fonte: Cardoso, Leo. O dia que Deus matou o diabo, 2019, p. 92/93.

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