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domingo, 14 de abril de 2024

Cubiertos (Causo do Maestro Guido por Adair Philippsen)

 

Encontro de dois dias em Monte Caseros, Argentina. No convite, a observação:

- Por favor, traigan cubiertos.

Desde os doze anos, com seu irmão Ivo, Guido cantava música de Miguel Aceves Mejia, guarânias, boleros e tangos. Julgava-se pós-graduado em espanhol e por isso recomendou aos coralistas:

- É fim de inverno, vamos mais ao Sul, em campo aberto, na margem do rio, pode ser frio. Levemos, pois, cobertores.

Na primeira noite os anfitriões serviram boi assado com couro e pelo, bastante alho e outros temperos. Muitos pedaços com mais pelo do que carne – o Kuno Bieger (in memoriam), na viagem de retorno, ainda cuspia pelos de boi…

No segundo dia almoçaram na sede da gendarmeria na beira do rio Uruguai. Na entrada pediram:

-¿Trajeron los cubiertos?

Só então descubriram que cubiertos são talheres!

E o ônibus abarrotado de cobertores.


Fonte: Philippsen, Adair. Um século de encanto. Breve histórico do Coral Santa Cecília de Santo Cristo. Santa Rosa: Public Gráfica e Gravadora, 2016, p. 52

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Gíria e jargão (Carlos Reverbel)

 

Nada mais perecível, em matéria de linguagem, do que a gíria. Pouca gente terá lembrança, por exemplo, de que a palavra pacote já significou dinheiro.

Nos bons tempos dos mil-réis, um pacote correspondia a um conto de réis. E era um dinheirão. Com cinco pacotes comprava-se quadra e meia de campo.

Aliás, dinheiro é uma das palavras que figuram no Aurelião com maior número de acepções. Nada menos de setenta, a grande maioria em gíria, o que demonstra o alto apreço e a tocante afeição que o responsável público dispensa ao chamado vil metal. E ali ainda se encontra, embora já esteja morta e enterrada, a expressão pacote significando grana, arame, boró, bagarote, erva, bronze, gaita, massa, níquel, tutu, etc. etc.

Tendo desaparecido do linguajar do povo, na acepção de dinheiro, a palavra pacote também desapareceu do noticiário dos jornais com aquele significado. Mas acaba de voltar, com ímpeto ainda maior, ostentando roupagem bastante sofisticada, de acordo com o seu novo status.

Deixou de fazer parte da gíria, isto é, do zé-povinho, para integrar uma categoria lexicográfica mais exclusiva: o jargão. E foi recebida de braços abertos pelos mais astutos cultores do economês que assola o País.

Passamos assim, da noite para o dia, a ser brindados com pacotes de reformas, pacotes de projetos, pacotes de iniciativas, pacotes de abril, pacotes de providências, pacotes de resoluções, pacotes de decretos, pacotes de portarias e até pacotes de golos, sem dúvida os pacotes de maior impacto entre todos os pacotes.

Por sua vez, o dr. Brossard começou a proferir discursos em pacotes, pois os que tem proferido, ultimamente, não cabem numa única sessão, tendo de ser desdobrados em três, performance que somente o conselheiro Rui Barbosa conseguia realizar, nos seus melhores momentos senatoriais.

Talvez seja uma reação do Legislativo, em pacotes, aos pacotes do Executivo, sem dúvida bem mais ameaçadores, sobretudo quando expedidos pelo serviço de empacotamento das autoridades de área econômico-financeira.

Ainda não dispus de tempo suficiente para empreender a pesquisa, que deve ser objetiva, acurada e isenta, à maneira dos scholars norte-americanos, mas tenho para mim, até segunda ordem, que o introdutor na província de São Pedro da palavra pacote, na sua nova e vitoriosa conotação, foi o dinâmico secretário Mário Ramos, quando andou promovendo pacotes turísticos internos, aliás contra minhas mais arraigadas e definitivas convicções, pois nesta matéria sou mais inclinado para os pacotes turísticos externos, principalmente quando se dirigem a Paris, apesar dos parisienses, gente que nunca foi de meu agrado, nem do José Ronaldo Faleiro mas, em compensação, e encantadora Berenice Otero a adora.

A onda que veio projetar a palavra pacote no jargão do economês, sem dúvida a linguagem mais eloquente do País, nas atuais circunstâncias político-administrativas, chegou em momento oportuníssimo, quiçá, salvador, pois a expressão começara a cair em desuso até mesmo no comércio varejista. Em substituição ao tradicional pacote, as mercadorias passaram a ser metidas dentro de sacolas, quase sempre de matéria plástica, como se sabe um produto dificilmente degradável, logo, antiecológico, logo, antilutzerberguiano, logo, fatal ao gênero humano. E quando acontecem de serem embrulhadas, pelos mais conservadores, diz-se que as mercadorias foram embaladas, não empacotadas, sendo entregues ao freguês na seção de embalagem, não na de empacotamento.

Assim, se não fosse o economês a palavra pacote estaria condenada ao desaparecimento, restando-lhe uma única possibilidade de sobrevida, ainda assim na forma composta: conto do pacote. Aliás, esta expressão idiomática envolve dúvida atroz, pois ainda não se conseguiu definir quem é o maior vigarista no conto do pacote, dividindo-se as opiniões dos exegetas entre o agente e o paciente.



Capa: Tânia Porcher

Foto: Jorge Rolla

Fonte: Reverbel, Carlos. Barco de papel. Porto Alegre: Editora Globo S.A., 1978, p 30/32.

quarta-feira, 14 de junho de 2023

Lídio (Camila Fremder)

 Eu tive uma paixão platônica tão grande por um chefe que, sem querer, chamei-o de lindo no meio de uma reunião. Ele olhou assustado para mim:

- Oi?

- Lídio, eu disse lídio, você lembra muito o meu amigo Lídio.



Capa: Ale Kalko

Ilustração: Veridiana Scarpelli

Fonte: Fremder, Camila. Adulta sim, madura nem sempre: fraldas, boletos e pouco colágeno. 1ª ed. São Paulo: Paralela, 2018, p. 67.

quinta-feira, 25 de maio de 2023

Duas do Canário de Uruguaiana (Rillo)

 

Todos os causos que conheço, particularmente, tendo como personagem Moacir Almeida, o Canário, me foram passados por seu filho e grande cantor João de Almeida Neto. Inclusive os que relato a seguir.

Seu Moacir é dono de um amplo terreno na zona suburbana de Uruguaiana. Há tempos resolveu estabelecer no local um depósito de areia, brita e tijolos, por ele mesmo administrado. Seu terreno, para efeitos fiscais, foi taxado de baldio pela Prefeitura e taxado bem acima dos terrenos construídos. Seu Moacir não concordou com a taxação:

- Baldio, ora essa!

Na Prefeitura lhe foi informado de que a taxação estava correta. O terreno era mesmo baldio e portanto sujeito à tributação mais elevada.

- Mas e eu não tenho um depósito no local? Não pago alvará sobre o negócio? Isso só pode ser perseguição!

- Não, seu Moacir, nada disso. Segundo o Código de Posturas todo terreno não construído, a partir do alicerce, é considerado baldio.

- Quer dizer que se eu construo nele vou pagar menos impostos, é isso?

- Se construir, sim.

Seu Moacir estrilou.

- Construção, é? Então, decerto, vocês querem que eu venda areia, brita e tijolo em prateleira?

De outra feita estava o Canário acompanhando o filho João numa circulada por Paso de Los Libres. Chegaram a uma casa noturna. Pelo sistema de som ouvia-se um samba de partido-alto, tema de predileção de seu Moacir, que nunca perdoou o João por cantar preferentemente música nativista. Chamou a atenção do filho:

- Tá escutando, João? Isto que é música. Samba do bom, brasileiro da gema, com balanço. Sabe que mais? Samba é o que tu deverias cantar pr’esses correntinos aprenderem o que é música – música marca Brasil, tás me ouvindo?

Sim, João de Almeida Neto estava ouvindo. E gostando do samba do grande compositor Agepê. E por falar nisso, que tal testar os conhecimentos musicais do velho?

- Samba é bueno, pai. O senhor tem toda razão. E a propósito, de quem é mesmo este samba de partido-alto que a gente está ouvindo e o senhor louvando?

Seu Moacir despregou um sorriso inteiro. E respondeu, por cima da carne seca:

- É de um tal de Aguapé, meu filho João...



Ilustração: Bier

Capa: Roberto Silva

Fonte: Boca do Povo. Rillo, Apparicio Silva. Porto Alegre: Tchê! Editora, 1986, p. 139/140.

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Canário de Acampamento - Um causo do Rillo

 

Bagre Fagundes angaria troféu inusitado na Barranca de São Borja

O advogado Euclides Fagundes Filho, cria (com muita honra) do Alegrete, conhecido por Bagre nas rodas do nativismo, é um exímio tocador de gaita de quatro baixos e se defende lindo no violão. Ademais que um cantor de razoável para bueno, especialista em canções do folclore argentino – de que sabe tantas como uma carrada de abóboras. Estava num dos Festivais da Barranca, em São Borja, quando o Bira Fontoura – Bugre para os íntimos-, lhe passou, muito em segredo, que a direção do Festival preparava um troféu especial para o “barranqueiro” que, de quinta a sábado, melhor e mais assiduamente divertisse o acampamento de beira d’água.

- E que troféu é este, Bugre? Vale a pena?

- É o Canário de Acampamento! Todo em madeira de lei, com bico de ouro, feitio do Ismar, aquele baita artesão que mora onde foi o cabaré da Dona Rosa.

- Bico de ouro, é? Pois olha, Bugre, este troféu já é meu. Levo o Canário para o meu Alegrete!

Passou três dias cantando, trovou com quatro ou cinco, inclusive com o Nico Fagundes, seu irmão, declamou todo o Navio Negreiro, musicou o Padre Nosso e, pra arrematar, contou uns vinte causos e igual número de anedotas “quentes”.

Termina o Festival e nada do troféu. Já desconfiado, o Bagre procura o Bira, que ria que se ria para dentro.

- E o troféu? Ganhei eu, não?

- Ganhou, claro. Peraí que já te dou.

Afastou-se um momento e voltou com um ovo de passarinho na mão. Estendeu-o para o Bagre.

- Toma. É teu.

- Tá louco? Que é isso?

E o Bira, de acionar as de correr:

- É o Canário de Acampamento. Põe para chocar que em quinze dias vem a furo!



Capa: Roberto Silva

Fonte: Boca do Povo. Rillo, Apparicio Silva. Porto Alegre: Tchê! Editora, 1986, p. 61/62.

domingo, 16 de abril de 2023

João José Machado de Oliveira e o trem (Carlos Reverbel)

 


Velho amigo e compadre de Assis Brasil. Homem vivaz e malicioso. Fazendeiro abonado, só viajava de 2ª classe.

Tendo alguém lhe perguntado por que se sujeitava a esse desconforto, sua resposta veio logo:

“- Porque não existe 3ª classe em nossos trens.”


Capa: Calito Azevedo Moura

Fonte: Reverbel, Carlos. Pedras Altas. A vida no campo segundo Assis Brasil. Porto Alegre: L&PM Editores Ltda, 1984, p. 16.

sexta-feira, 17 de março de 2023

A gota (Carlos Reverbel)

 

Fui aquinhoado, nesta altura dos acontecimentos, com uma crise aguda de gota. Logo às primeiras ferroadas da doença, recorri ao dr. Jorge Pereira Lima. Por via das dúvidas, aguardei-o preparado para o pior.


O grande médico chegou e lascou o diagnóstico de supetão, na base do que antigamente se chamava olho clínico: “Isto é gota, meus parabéns”.


Recebi, posteriormente, diversas e efusivas demonstrações de distinto apreço e alta consideração. A gota, segundo a tradição britânica, é uma doença aristocrática e de origem vitoriana, conferindo aos seus eleitos foros de alta dignidade heráldica.


O Júlio Duarte, na sua notória condição de velho gotoso, não tardou a oferecer os seus valiosos préstimos, garantindo-me que não haverá necessidade de cortar a cerveja. E o Rivadávia Souza (cuja gota é de origem gaulesa, portanto atípica), dirigiu-me de Brasília a seguinte mensagem telegráfica: “Parabéns teu ingresso nosso clube”.


Tive a confirmação de que o referido clube existe ao receber, ainda acamado, a visita do Milton Baggio, vindo especialmente de Bom Jesus para congratular-se com o meu ingresso na ilustre confraria. Por sinal, o Milton é detentor de um privilégio: foi acometido pela doença aos 20 anos de idade, coisa muito rara na literatura médica. Seria como se o Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry, sofresse do mesmo mal.


Também recebi presentes, graças à providencial gota, vulgo edema localizado junto à articulação metatarso-falangeana do dedão do pé, ou primeiro dedo, segundo os anatomistas. O presente mais apreciado veio da Ivete Brandalise: um livro que pertencera à biblioteca que vendi em 1947. Encontrando-o num sebo, a admirável cronista teve a nímia gentileza de recuperá-lo, pelo que serei eternamente grato.


Por falar em livro, sou dos que acreditam, por experiência própria, na terapêutica leitura. Posso garantir, por exemplo, que os cinco alentados volumes das memórias de Gilberto Amado são um porrete para úlceras duodenais. E nada melhor para aplacar as lesões pulmonares de primeiro grau do que a “Guerra e Paz”, de Tolstoi, na edição da Bibliothèque de la Pléiade, mas desde uma vez que o paciente também recorra aos cuidados do abalizado dr. Palombini, pois o seguro morreu de velho, segundo o Leão do Caverá.


Desta vez, nesta gota, descobri que Lima Barreto é excelente coadjuvante para a cura clínica da torturante enfermidade. Faço a afirmativa com a tranquilidade de quem debulhou a obra completa do grande escritor, nos 17 volumes organizados para a Editora Brasiliense por Francisco de Assis Barbosa, com a autoridade de quem, escrevendo a biografia do autor das “Recordações do escrivão Isaías Caminhas”, produzira uma obra perfeita.


É impressionante a atualidade de Lima Barreto. Num de seus romances – “Numa e Ninfa” – foi criada e entregue a um charlatão russo – o dr. Bogóloff – uma Estação Experimental de Reversão Animal e Quadruplicação dos Bois. Propunha-se o impostor adotando processos baseados na bioquímica, produzir porcos do tamanho de bois e bois do tamanho de elefantes. Propunha-se ainda, injetando gens de uma em outra espécie, produzir cabritos que eram ao mesmo tempo carneiros, e porcos que eram cabritos ou carneiros, à vontade.


Já tendo assinado em sua gestão 2.727.832 decretos, 78.345 regulamentos e 1.725.384 avisos, o titular da Agricultura, ministro Xandu, assinou novo ato, aprovando o projeto do dr. Grégory Petróvitch Bogóloff e promovendo-o a diretor da Pecuária Nacional, com o que se deu por muito satisfeito, jamais cobrando do charlatão eslavo a prestação dos serviços a que este se propusera. Como ainda hoje acontece com os “bogóloffs” brasileiros.



(Agosto, 1979)




Fonte: Reverbel, Carlos. Saudações Aftosas. Porto Alegre, Martins Livreiro, 1980, p. 50/51.



Nostalgia do Percevejo (Carlos Reverbel)

 


As novas gerações já andaram transando (uma boa) com o popular piolho, pois tem surgido, ultimamente, alguns surtos do parasito, mas continuam ignorando, por completo, o saudoso percevejo, cujo desaparecimento parece definitivo, talvez com graves consequências ecológicas e sérios prejuízos ao meio ambiente.


Alimento a firme convicção de que o desaparecimento do percevejo aconteceu por obra e graça de uma fatalidade histórica, pois se dependesse dos fabricantes de inseticida ele jamais teria sucumbido.


O raciocínio que conduz a esta óbvia conclusão não pode ser mais singelo e elementar. Se os inseticidas tivessem o poder de erradicar os parasitos (e as pragas), ficariam sem mercado e seus fabricantes iriam à falência. Logo, a erradicação estragaria o negócio, assumindo as catastróficas proporções de verdadeiro haraquiri empresarial, conforme a técnica usada pelo ator Charles Boyer no filme “A Batalha”, baseado no encantador romance de Claude Farrère, um “best-seller” da “belle époque”.


Por esse e outros motivos, igualmente cartesianos, nunca deixei de acreditar, apesar de agnóstico, na imortalidade do carrapato. Sendo o referido parasito um alto negócio, é evidente que os fabricantes de carrapaticida não permitirão o seu extermínio. Seria como pretender que os fabricantes de armas criassem asas e se transformassem em arcanjos e serafins, tendo como primeira prenda a Pomba da Paz, de Picasso, hoje a serviço da Anistia internacional, com assistência jurídica da Ordem dos Advogados do brasil.


Carregar um banheiro de carrapaticida, nesta altura do século, custa os olhos da cara. Aliás, o preço desse e outros insumos, não sendo tabelado, enquanto a carne o é, terminou cooperando, com notável desenvoltura, para a crise da pecuária, o que veio resultar na escassez do produto e, naturalmente, no seu encarecimento, mesmo porque o boi ainda não recebeu poderes para revogar a lei da oferta e da procura.


O gigolô do boi não é mais o fazendeiro, tendo as multinacionais passado a exercer, com raro brilho, essa cômoda e honrosa função, através do carrapato, da aftosa, da sarna, da verminose e outras ambrosias com que se alimenta Mercúrio, deus dos lucros e perdas, do deve e haver, dos juros e correção monetária, quiçá do próprio Dr. Delfim.


Mas o caso é que o percevejo desapareceu, há coisa de uns 30 anos, conforme tenho anotado no meu canhenho de algibeira. E, por incrível que possa parecer, na encruzilhada existencial em que me encontro, vergado ao peso de tantos anos idos e vividos, chego a sentir nostalgia até mesmo do percevejo, associando-o à primavera da vida, isto é, à famosa “idade do serrote”, de que fala Murilo Mendes.


Uma vez, por volta de 1936, o jornal me mandou fazer uma reportagem num vilarejo chamado Cotiporã, então segundo ou terceiro distrito do município de Bento Gonçalves. Foi a primeira (e última) vez na vida em que comi carne de paca, iguaria que gostaria de oferecer, se ainda existissem pacas, ao dr. Antônio Mazzaferro, único “gourmet” de minhas relações gastronômicas, depois que o Armando coelho Borges fixou residência na Pauliceia Desvairada.


Após essa revelação culinária, o hotel em que me hospedei em Cotiporã, naquela ocasião, proporcionou-me outra revelação, por sinal de gênero completamente diferente: o percevejo paraquedista.


A infestação do quarto pelo parasito era total, começando na cama, esparramando-se pelas paredes e atingindo o teto. Quando descobri que os percevejos domiciliados no forro do aposento se atiravam lá de cima, como exímios paraquedistas, caindo sobre o meu leito, na elegante postura de jovens audazes do trapézio volante, naturalmente influenciados pelo romance de William Saroyan, fiquei literalmente apavorado, deixando naquela noite de entregar-me aos braços de Morfeu, como tinha direito, depois de um dia trabalhoso na faina da reportagem que começara a preparar.


Então saí para fora, mergulhando na escuridão do vilarejo. Pro sorte era uma noite de sábado, embora tisnada de breu e outros ingredientes de bruxaria. Para encurtar a história direi que, depois de alguns trancos e barrancos, terminei deparando com enorme barracão, onde a sociedade do local e adjacências realizava animado baile, na base do acordeão, do vinho colonial e da linguiça calabresa.


Sem qualquer prevenção contra o tresnoitado viandante, deixaram-me penetrar no ambiente. Foi nessas circunstâncias que conheci o Artur Lourenço de Faria Rimoli, então caixeiro-viajante, hoje destacado integrante do tubaronato porto-alegrense. Como acontece de vez em quando, encontramo-nos outro dia na Rua da Praia. E ele foi logo convidando, na sua desmedida gula:


“- Vamos ao Restaurante do Rocco “mangiare” uma linguiça calabresa, em memória daquela que comemos no baile de Cotiporã.”


(Janeiro, 1979)




Capa: Jairo Devenutto


Fonte: Reverbel, Carlos. Saudações Aftosas. Porto Alegre, Martins Livreiro, 1980, p. 99/101.

sábado, 11 de fevereiro de 2023

Idosos em Corpos de Jovens (Hoje Tem Podcast/Leila Germano)




Disponível: https://open.spotify.com/episode/4UX7N7YDxkao8A4Jk0sLdf

Acesso: 11/02/2023



Crédito imagem episódio: https://d3t3ozftmdmh3i.cloudfront.net/production/podcast_uploaded_episode400/1875086/1875086-1675699758008-379ed2ffc353.jpg



Crédito logos bingo: 

https://hojetempodcast.files.wordpress.com/2019/06/cropped-logo-1.png?w=200

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sábado, 12 de novembro de 2022

Alguns tweets de Deus (Leo Cardoso, @OCriador)

 

Eu não existo: Eu Sou! Existir predispõe começo e fim. Se existo, não sou Deus. E sou Deus! Entendeu? Não! Pois não pensa, logo, não existe!


Pare de Me perguntar qual é tua missão na vida. Eu não explico piadas.


Jesus te ama, mas aí na Terra quase todo mundo te acha babaca.


Profetas, por favor, substituam suas placas de “O fim está próximo” por “Esqueçam, é tarde demais”.


Em ano eleitoral, todo político que está ruim de voto apela para a fama de bom devoto.


Milagre não é andar sobre as águas, fazer cego enxergar ou curar aleijado. Milagre mesmo é fazer brasileiro aprender a votar.


O folheto de divulgação de campanha eleitoral se chama santinho porque é por isso que o político tenta se passar nessa época.


Quando vejo esses políticos ditos cristãos usando meu nome em vão, Eu fico feliz por não existir.


Candidatos que dizem “Se Deus quiser, serei eleito”, saibam logo: não, Eu não quero!


Jesus andava, com orgulho, entre ladrões e prostitutas. Mas morre de vergonha de se ver citado nos comícios desses políticos.


A maioria dos humanos só é verdadeiramente fiel a uma santa: a Santa Ignorância.


A Fé é diretamente proporcional ao grau de desespero.


Jesus tem um plano para todos. Mas, no seu caso, ele já está usando um plano B.


Pecadores que programam churrasco na Sexta-Feira Santa estão certos, afinal, é bom ir se acostumando com fogo, brasa e espeto.


Em 1500 a.C., Eu enviei a Moisés as Tábuas da Lei. Ou seja: 3500 anos depois, e vocês continuam falando “tauba”!


Adão e Eva eram brasileiros: não tinham o que vestir, apenas uma maçã para comer, sem casa para morar e a certeza de que estavam no Paraíso.


Capa: Desenho Editorial

Ilustração: Thiago Judas




Fonte: Cardoso, Leo. 365 tweets de Deus. 1. ed. São Paulo: Planeta, 2015, p. 31/39/48/56/104/153/161/164/165/169/206.

domingo, 30 de outubro de 2022

Humor, por Zé Celso Martinez Corrêa

 

“O maior dom do senso de humor, é fazer rir do outro sem ele perceber, revelar o ridículo que existe por trás da realidade.”


Capa: Original de Angelo Bottino para a Storytel



Foto: David Zingg / Instituto Moreira Salles


Fonte: Felitti, Chico. Elke: Mulher Maravilha. 1. ed, São Paulo: Todavia, 2021, p. 151.

sábado, 22 de outubro de 2022

Aprenda a rir de si mesmo (Bruno Motta)

 

Desconfie de quem leva política na brincadeira e piadas a sério. É para ser o contrário.


Temos duas orelhas e uma boca para escutar mais e falar menos.


Na internet você encontra a informação necessária para se tornar burro.


O homem é um animal social: se comporta feito um animal em eventos sociais.


Não é calvície, é um corte de cabelo orgânico.


Não grite. Respire fundo e pense no que vai dizer. Agora sim, o grito vai sair muito melhor.


O criativo é um plagiador que ainda não foi descoberto.


Você vai adorar quando seu filho aprender a falar. Mas vai adorar ainda mais quando ele aprender a falar baixo.


Nunca diga nunca. E nunca diga sempre. Sempre diga “talvez”.


A democracia é um sistema perfeito, mas só quando o seu candidato vence.


As coisas vão melhorar. Mas antes disso vão piorar bastante.


Para que os maus triunfem, basta que os bons fiquem só lendo livros de autoajuda.


Nunca diga “no meu tempo”. Prefira “quando eu não era velho…”


Democracia quer dizer que é o demo no comando.


O único esquema de pirâmide que funcionou de verdade foi o dos faraós.


Você tem tudo para dar certo. Mas vai receber errado.


Marketing multinível é o veneno que se toma pretendendo matar o outro.


Um homem prevenido vale por dois, mas o salário continua um só.


O bom chefe tira o melhor de cada funcionário. E nunca mais devolve.


Saber lidar com frustrações te torna um fracassado feliz.


Se até a lei te dá o direito de permanecer calado, por que não usar mais?


Às vezes não é um insulto, só uma descrição bastante acurada.


Loucura é fazer a mesma coisa e esperar unicórnios voadores.


A diferença entre bem cotado e bem coitado é apenas uma letra.


Mais triste que ter amigos imaginários é imaginar que certas pessoas são seus amigos.


O “não” todo mundo já tem. Tente não merecer um “nunca”.


O trabalho dignifica o homem. Alguns trabalhos danificam o homem.


Até pra largar tudo tem que ter alguma coisa.


“Meritocracia” também quer dizer que a culpa é sua mesmo.


Jovem gosta de sexo. Adulto gosta de panela nova.


Não precisa duvidar da existência de vida inteligente fora da Terra, duvide por aqui mesmo.


Hoje em dia se cria de tudo. Até expectativas.


Investimento é um desperdício otimista.


Fama é ser reconhecido pelas pessoas na rua. Sucesso é conseguir fugir delas.


Recuse-se ser corrompido (pelo menos por este valor que estão te oferecendo).


Para franzir a testa, usamos 32 músculos. Para sorrir, 28. Para a cara de paisagem, zero.


Se a TV era a máquina de fazer doido, a internet é a máquina de fazer doido parecer normal.


Ética não se estica.


Amar o próximo seria fácil, o problema é o próximo.


O diabo está nos detalhes… Então, pelo amor de Deus, pare de ser tão detalhista.


Para que os maus triunfem, basta que os bons fiquem presos no trânsito.


Pense fora da caixa. Mais importante, pense fora do caixão.


O tempo cura tudo. Tempo é dinheiro. Logo, o dinheiro cura tudo.


É errando que se aprende a errar mais errado.


Para que os maus triunfem, basta que os bons votem em branco.


Adoraria, mas não posso = queria, mas não quero.


Ser o primeiro a desistir também é demonstração de iniciativa.


O talentoso é um incompetente que ainda tem utilidade.


Coragem é o medo de mostrar que está com medo.


O brasileiro está usando o celular cinco horas por dia, em média. Você vai se contentar em ficar só na média?


Enquanto todos se distraem, se divertem e descansam, durma.


Acredite que você não pode. E aí o resto é lucro.


Enquanto o vitorioso é obrigado a aturar cerimônias e entrevistas, o derrotado já está confortável em sua cama.


Se você acha que pode, você está certo. Se você acha que não pode, você está certo. Se você não acha nada, você é um gênio.


Capa: Helena Hanneman / Foresti Design



Fonte: Motta, Bruno. Aprenda a rir de si mesmo (é o que os outros já estão fazendo). São Paulo: Planeta Brasil, 2020.

Adquira: https://www.brunomotta.com.br/livro   

terça-feira, 7 de junho de 2022

Memórias de Rádio e TV (Cláudio Brito)

 

Eu gostava muito do estilo do Sérgio Moraes, das suas frases tipo: “Lá onde a coruja dorme”.


Existem alguns momentos inesquecíveis do rádio, como por exemplo, o Sérgio Moraes, no campo do Grêmio com o Biscardi, um castelhano massagista. Na época os massagistas usavam um abrigo com a letra M, que significava massagista.


Numa decisão, um jogador do Grêmio caiu na beira da pista e o Biscardi está jogando água no rosto do jogador. Na época, dizer a palavra “cara” no ar seria ridículo, então ele disse: “atenção, Resende, o Biscardi está jogando água na fisionomia do jogador”. Isso é do folclore e é verdadeiro.


Também posso contar uma minha.


Num fim de semana, trabalhando na TV Gaúcha, estava apresentando o programa Espetáculos Esportivos que tinha o patrocínio da Goodyear e da Cinzano. O programa mostrava os teipes dos principais jogos da semana, resultados da Loteria Esportiva e os páreos do Hipódromo do Cristal.


Então, quando dava o intervalo, o apresentador tinha de sustentar, ao vivo, esse intervalo, para trocarem o rolo de VT. Quando o assistente do estúdio te dava o sinal e pedia para chamar o gol, o técnico tinha de dar oito segundos para ajeitar a fita.


Eu chamei duas ou três vezes um gol do Alcindo contra o Siderúrgica, e o VT não rodava nunca. Quando, finalmente, desencavou aquilo, eu disse assim:


“E agora então continuamos nossas apresentações num oferecimento de Goodyear, o melhor vermute do mundo, e Cinzano, o pneu que dura mais”.


Quando cheguei no bar do Calofo eu não tinha nem me dado conta do que disse, mandaram me dar um Goodyear bem gelado!


Fonte: Coiro, José/Grabauska, Cléber. Sala de redação: a divina comédia do futebol. Porto Alegre: L&PM, 1998, p. 189.




Capa: Ivan Pinheiro Machado sobre ilustração de Edgar Vasques

Pescaria (Paulo Motta)


Tomei os remédios que a técnica do plantão trouxe. Furou meu dedo para medir o HGT, índice de glicose. Está no padrão. Brabo é que furam meus dedos das mãos – são dez – e pareço um paliteiro, todo furado, mas não tem jeito.


Lembro quando espetava meus dedos colocando iscas em anzóis, tentando me familiarizar com o esporte que meus colegas adoravam: pescaria. Pescaria e futebol foram duas coisas que bani da minha vida esportiva por pura incompetência. Mas cheguei a ir numa pescaria com meus amiguinhos, lá em São Borja.


Conseguimos uma cabana dum amigo do pai do Hilton Marchiori, o Capincho; arrumamos linhas, iscas, anzóis e um monte de tralhas pra pescaria, tudo emprestado. Ah!, e dois garrafões de cachaça.


Fomos na picape Chevrolet vermelha do Saquinho, que era lástimável; a direção amarrada com arame e os freios funcionavam na base do acaso. Lá fomos nós, em alegre e saltitante bando, uns sete doidos amontoados na picape infernal.


Chegamos na cabana, na beira do Rio Uruguai, perto do anoitecer, e tínhamos que estacionar a camionete num barranco de frente pra parede lateral da cabana, pois a bosta não tinha arranque.


A casa era superorganizadinha, camas, três peças, banheiro na rua.


Os garrafões de canha foram abertos e lá pelas oito da noite todos já falavam javanês.


Não tinha luz elétrica, só liquinho e velas. O Léo Castilhos fez um arroz com linguiça, comemos a gororoba e os caras acharam uma canoa num galpão e resolveram se lançar ao rio pra pescar.


Acho que eu era o mais sóbrio da horda de bárbaros. Quando vi uns quatro dentro daquela casquinha que eles chamavam de canoa, me deu um calafrio, juro!


E sumiram na escuridão do rio aos gritos, como se fossem invadir a Noruega!


Em seguida, ouvi tiros vindos do mato.


O Saquinho achou duas armas de caça, de cartuchos, ele e o Rogério Krieger estavam no mato caçando. Naquele breu, iriam se matar, os desgraçados! E caçar o quê?


Me enfiei na cabana e cochilei até acordar com a gritaria dos canoeiros. Chegaram molhados como patos, a canoa emborcou com todos, quase morreram, perderam linhas, espinhéis, iscas artificiais, tudo emprestado.


Mas Deus protege os borrachos!


Eram umas 4 da manhã, entraram todos numa algazarra e vá canha!


O Capincho e o Saquinho estavam alucinados com as armas nas mãos, tanto que deram uns três tiros pro alto. Dentro da cabana. Abriu cada buraco no teto de se prestar atenção!


Pra encurtar o relato, pela manhã todos em pé, com cara de cataplasma, fazendo o levantamento da esculhambação. Os buracos no teto não tinham conserto, as armas dava para limpar, a canoa guardamos, então vamos embora.


Aí vem a parte de empurrar a camionete no barranco para dar arranque. Empurramos, a camionete desceu, pegou no tranco e se foi em direção à cabana do homem. Os freios, nem tchuns. Pronto, derrubamos metade da parede da cabana! Azar, vambora!


Chegamos em São Borja e somente dois dias depois começamos a dar explicações pra quem tinha nos emprestado alguma tralha! A cabana do cara, tivemos que pagar o conserto e a minha tímida carreira de pescador terminou ali. Prefiro pescaria de quermesse.


Fonte: Motta, Paulo. Paulo Motta: o rei de Bulhufas. Porto Alegre, Editora Escuna, 2022, p.37/39.




Capa: Larissa Dall’Agnese Martins

terça-feira, 15 de março de 2022

Cantalício (Diário de Cecília, 1928)

 

Segunda-feira, 9 de janeiro


O velho Cantalício está aqui. Ontem de noite, ele nos contou uma porção de histórias de fadas e a do Ali Babá. Tudo naquela linguagem pitoresca, misturando brasileiro com castelhano.


Nas suas histórias os reis recebem os príncipes com um mate e mandam desencilhar e atar o cavalo na ramada.


Quando Ali Babá e os 4o Ladrões chegam na pedra da caverna encantada, gritam: “Abrite, perejil sin ojas.”


Terça-feira, 10 de janeiro


Papai preparou uma guampa, com fundo de salso, para tomar apojo e coalhada. Há muito tempo que ele desejava ter uma guampa para esse fim. Enquanto raspava e limava o pedacinho de salso para adaptar no fundo da guampa, mandou-me lar alto uma viagem maravilhosa de Fernão Mendes Pinto (o Marco Polo português), publicada em 1614.


O velho Cantalício despediu-se e voltou para o Berachi.


Antes de sair fez considerações sobre as vantagens do cavalo de trote bem duro e mau cômodo, principalmente no verão.


Ei-las, nas suas palavras:


“Você empeza uma viagem num cavalo de cômodo bom, vai troteando ou marchando e vai aquentando; agora, num cavalo de trote duro, você vai sacudindo e saltando e a fresca vai passando por baixo.”



Fonte: Assis Brasil, Cecília. Diário de Cecília Assis Brasil, org. por Carlos Reverbel. Porto Alegre, L&PM, 1983, p. 173/174.




Capa: L&PM Editores sobre foto do Castelo de Pedras Altas, Rio Grande do Sul.

Carnaval (Diário de Cecília, 1928)


Bagé, sexta-feira, 24 de fevereiro


O João Francisco, nosso empregado, passou dia meio jururu, sem querer alimentar-se.


De noite, soube que ele saiu, com o peão da Dona Faustina, para ver a batalha de flores e o corso carnavalesco, no centro da cidade.


É sinal que já sarou.


Tenho receio que ele gaste os poucos vinténs que possui nas folias do Carnaval.


Fonte: Assis Brasil, Cecília. Diário de Cecília Assis Brasil, org. por Carlos Reverbel. Porto Alegre, L&PM, 1983, p. 181




Capa: L&PM Editores sobre foto do Castelo de Pedras Altas, Rio Grande do Sul.

Centro de Bagé (Diário de Cecília, 1927)

 

Terça-feira, 13 de setembro


Fui com dona Faustina ao centro da cidade.


A rua Sete está muito bonita, com calçadas largas, ajardinada, arborizada, bem iluminada.


A praça em frente do Mercado também está muito acima do que era, com gramados e caminhos bem cuidados e calçada semelhante à da Avenida Atlântica, em Copacabana.


O Mangabeira pôs a “manga à beira” e os manguitos de fora, como diria o Aporeli.


Encontrei o Pizarro, que se ofereceu muito, assegurando que era o mesmo de sempre.


Fonte: Assis Brasil, Cecília. Diário de Cecília Assis Brasil, org. por Carlos Reverbel. Porto Alegre, L&PM, 1983, p.156/157.




Capa: L&PM Editores sobre foto do Castelo de Pedras Altas, Rio Grande do Sul.

Chofer (Diário de Cecília, 1926)


Sábado, 9 de janeiro


Chegaram vários jornais do Brasil com a notícia da prisão do coronel Juarez Távora, mas eu não quero crer ainda!


O sr. Bridal mandou pagar a manteiga recebida no mês passado.


Vieram de Pedras Altas, para a Estância Nova, 34 cabeças de gado Jersey. Fomos vê-las, com o Papai, Joaquim e o tenente Salvaterra.


O Boy levou-nos no Chevrolet.


Foi de bombachas, botas e chilenas, o chofer mais pitoresco que se possa imaginar.


Depois do rodeio, para passar o tempo, Papai, Boy e Salvaterra fizeram tiro-ao-alvo.


O tenente confiou-me seu Smith Wesson para dar o meu primeiro tiro.


Infelizmente saiu o mais desajeitado possível.


Fonte: Assis Brasil, Cecília. Diário de Cecília Assis Brasil, org. por Carlos Reverbel. Porto Alegre, L&PM, 1983, p. 98.




Capa: L&PM Editores sobre foto do Castelo de Pedras Altas, Rio Grande do Sul.

EBOOK NOSSO PAMPA DESCONHECIDO (Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul)

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