domingo, 28 de junho de 2026

Histórias de gaiteiro (Mauro Castro/Taxitramas 7)

 


(…) são as histórias do tempo de gaiteiro, quando tocava nos bailes, pelo interior de Viamão, as que eu mais aprecio. Meu velho tinha o que chamavam de “regional”, um grupo eclético, que animava as festas com choros, sambas, tangos, boleros e o que mais a plateia pedisse. O grupo era formado, basicamente, por meu pai na gaita piano, meu avô no bandoneon, o falecido “Espanhol” no violão, um que outro percusionista avulso e algum metal da banda municipal que estivesse vago. Salvo meu pai que não bebia, era comum, lá pela metade do baile, a banda toda perdendo-se nas músicas pelo excesso de álcool que os convidados ofereciam aos músicos. Era terrível, mas hoje em dia meu pai sorri ao contar.

(…)

Histórias de bailes interrompidos pela valentia dos irmãos Cafunchos são as minhas preferidas. Volta e meia eles apareciam empunhando seus facões, quebrando candeeiros e dando a função por encerrada. Segundo meu pai, quando o dono do baile conhecia a fama dos Cafunchos, corria a oferecer-lhes um arroz com galinha na tentativa de salvar a festa. Em geral, funcionava.

Seu Elci conta que quando a coisa encardia de vez, a solução era chamar a autoridade policial de Viamão, que à época atendia por “Cabadão”. Oi? Dito assim mesmo, tudo emendado. Um arremedo de cabo, soldado ou coisa parecida, com um quepe policial e uma arma na cintura. Quando o couro comia no salão, com os músicos fugindo pelas janelas, alguém pegava o cavalo, carroça, charrete e ia até o centro de Viamão buscar a polícia.

- Chama o Cabadão!

Fonte: Castro, Mauro. Taxitramas: diário de um taxista, volume 7. Porto Alegre: Evangraf, 2025, p. 126

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