Não obstante o extraordinário avanço da tecnologia, da ciência, das descobertas atômicas, o Homem até agora não aprendeu a conviver com o Homem! E este continua sendo o seu maior inimigo.
Passei a acreditar na solidariedade humana depois que vi dois mendigos repartindo um pão ao meio.
A adversidade às vezes transforma o homem num cemitério de anseios, angústias e emoções.
Problemas, sofrimentos, angústias, dores – têm a idade do Homem!
Às vezes, a idade nos dá o alívio de não precisar ter mais esperanças, nem sonhos, nem ilusões. Basta o que conquistamos ao longo da vida.
Frequentemente, o maior drama não está no palco, nem na novela, nem no livro de ficção: está no espectador ou no leitor.
As palavras têm sexo: ama-se, casam-se, multiplicam-se… A isso se chama estilo!
A solidão e o silêncio são as asas do espírito e da imaginação.
Em política, a primeira coisa que se perde é a liberdade!
Os grandes problemas só tem solução depois que geram a crise!
Nos animais, o destino é instinto! No Homem, é criação!
A noite é a grande inspiradora das almas. Não é por acaso que os poetas têm os seus símbolos na lua e nas estrelas!
Quando chega o crepúsculo, há um desligamento das coisas do cotidiano, e a alma adquire o seu império.
Basta o sol se por para que o nosso olhar fique mais sensível. Saem de cena os trabalhadores para a entrada dos namorados; e os interiores passam a dominar os exteriores de cada um!
A televisão nos dá uma sensação de clausura, como se estivéssemos confinados, sem vínculos com a vida em sociedade, dando-nos uma ideia de solidão!
As pessoas são capazes de absorver todas as emoções, desde que lhes deem tempo. O homem pode comer um boi – mas de churrasco em churrasco!
Em nosso peito, há mais bruxas do que fadas!
Desligar-se, desinteressar-se pelas coisas da vida, sem desejos, não é virtude – é NEUROSE!
Saudade – eterna semeadora de emoções e de reminiscências!
É da infância que brota esse manancial de forças a nos impulsionar e elevar para o alto os sonhos da vida.
Avalia-se o mérito pelas resistências que provoca.
Seguir uma determinada escola é uma maneira de não se ter estilo próprio. Estilo é uma afirmação de personalidade.
Nas cidades até a paisagem é de cimento armado…
As rugas são testemunhas de que se viveram emoções, dramas e alegrias. São o atestado vivo de que houve uma vida ao longo dos anos. Vincos que denunciam amores, romances, dissabores e esperanças.
A juventude é bela, mas a velhice é sábia!
Rusgas de amor são como nuvens que se esvaziam diante do sol.
Não se está só quando há uma ideia junto com a gente.
Cada instante leva a outro instante. É inútil querer retê-lo. O próximo instante poderá ser de morte ou de ressurreição!
Emoções e ternuras, que são a essência da mocidade, nos acompanham também na velhice.
Às vezes ficamos olhando as nuvens das tempestades e esquecemos de contemplar o arco-íris.
Os poetas são seres crepusculares.
A lua é a deusa da madrugada!
E o sol é um disco de fogo afundando no rio…
Há fumaça apache nas colinas…
A calúnia é uma punhalada na virtude.
O juiz, muitas vezes, exercita um anseio ancestral de dominação e de mando.
Antigamente, quem fazia a cabeça do adolescente era a família, a escola ou a Igreja. Hoje, são os meios de comunicação de massa.
As coisas que chegam aos ouvidos do proletário são previamente filtradas pelos interesses da burguesia.
O homem é um barco, sujeito a tempestades e ventos, e até a mudanças de rumo.
Há uma indústria cultural. E esta tem donos, que impõem à sociedade os seus valores, suas ideias e suas concepções, tudo ajustado aos seus interesses particulares ou sociais. As programações de rádio e televisão nos dão o maior exemplo disso.
A sociedade contemporânea restringe a convivência entre os indivíduos, sendo que até o lazer é privatizado (televisão, rádio, alto custo da diversão…). O apartamento segrega as pessoas. Nos supermercados, as pessoas não se falam (só há caixas e vigias). E o homem vai perdendo a sociabilidade.
Pobre não tem direito à sociedade de consumo!
Cultura não é apenas saber científico, artístico, filosófico ou literário. Há também a cultura política. E esta nos traz uma outra ideia de cultura, que nos diz como somos, e se somos capazes de pensar e equacionar os problemas do povo, na sua luta por melhores condições de vida. Essa política é que há de promover as transformações sociais.
Cultura é um conjunto de formas, através das quais o homem se exprime diante das coisas que compõem a sociedade em que vive.
Na sociedade burguesa, só é considerado cultura o produto de pensadores, intelectuais e artistas. E a essa cultura o trabalhador não tem acesso.
Fonte: Piva, Túlio. 1915-1993. Túlio Piva: pra ser samba brasileiro/Hugo Ramirez; Rodrigo Piva (orgs.). Porto Alegre: Programa Petrobras Cultural, 2005, p. 125/129

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