Amor é essa coisa que começa de quase nada e termina de quase tudo.
Estamos todos nessa mesma luta, talvez precisemos todos concluir que somos apaixonados e apaixonantes – só os ‘quens’, quandos, os quês e porquês variam… que possamos tentar sofrer menos um pouco. Ou, pelo menos, sobreviver, porque morrer de amor saiu de moda depois do século XVIII.
O engraçado é como as palavras são tudo e podem não significar nada.
Nada nunca é repentino, tudo é repetido, decorado e desgastado.
...todo mundo e Proust sabem que os verdadeiros paraísos são os paraísos perdidos.
O ser humano existe diante do outro e é o que é por causa desse outro.
… não foi Shakespeare que disse que lembrar é fácil para quem tem memória, esquecer é difícil para quem tem coração?
E sempre pode ser só uma crise. É preciso se perder para se encontrar, diz o clichê.
Precisamos dessa ilusão de que o mal é o outro, o estranho, não quem tá perto; é sempre o país vizinho, o sexo do outro ou o que o outro faz com esse sexo, a cor de sua pele, a sua classe social. O mal tá nele, no diferente. Assim, continuamos idiotamente fechando os olhos pros erros de quem consideramos nossos iguais para cultivarmos ódio do que é diferente, ao invés de, comparar e questionar e encontrar o mal em nós mesmos, pra entender que tá todo mundo errando e acertando o tempo todo.
Porque as pessoas e coisas só importam enquanto existem ali na função de te amar ou entreter, depois elas somem em suas próprias histórias.
Odiamos o não. Durante grande parte de nossas vidas ele representa o paraíso negado, a delícia destruída, o delírio desmontado em dilúvio. O não é o grande fim da trajetória do nosso desejo. Odiamos com amor e desprezo a boca que nos desfere essa palavra. Independente de seus motivos.
Fonte: Santos, Gabriely. Sagamorosa: camaleões. Curitiba: Eu-i, 2023, p. 11/13/17/58/59/74/81/96/133.
Capa: Jéssica Iancoski


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