Da Santa Aliança (1815) até as vésperas da revolução de 1870
A crise da França feudal-absolutista – Os camponeses – A decadência da agricultura
O camponês era obrigado a entregar ao latifundiário uma parte da colheita (geralmente a quarta parte), ou a pagar-lhe seu valor em dinheiro. Outra parte da colheita era subtraída ao camponês pelos ávidos sacerdotes, através do dízimo. Se o camponês morria, apresentava-se o mordomo do latifundiário e cobrava um elevado imposto pela transmissão da herança. Para passar os cereais e demais produtos por uma ponte, ainda que ela tivesse sido construída pelos próprios camponeses, o latifundiário – o senhor – cobrava um imposto especial. Para moer os cereais no moinho do senhor, para cozinhar o pão no forno do amo, tinha que pagar em separado. Inclusive no caso de o senhor não dispor de um forno para cozinhar o pão, era igualmente exigido do camponês o pagamento do imposto anual, implantado outrora para uso do forno. A ponte ou o moinho podiam desaparecer, porém o imposto anual pela passagem ou pela moagem era cobrado pontualmente.
Eram conservados ainda, na França, outros tributos medievais aos camponeses. Enquanto se divertia na caça, o senhor tinha o direito de talar os campos semeados dos camponeses, passando através deles com seus convidados a cavalo e com seus cães atrelados. Cada latifundiário tinha um pombal. As pombas devastavam as plantações dos camponeses, porém estes, no caso de matar alguma pomba, eram ferozmente castigados. Também eram conservadas muitas outras cargas, se bem que não tão pesadas, mas humilhantes. Durante a noite, nas casas senhoriais, as rãs tinham que ser espantadas para que os senhores pudessem dormir tranquilos. Em seus encontros com o amo e seus funcionários, o camponês era obrigado a fazer profundas reverências, e a beijar a mão ou as costas do senhor.
Não havia onde apresentar queixas contra o senhor. O próprio latifundiário, ou algum juiz por ele nomeado, administrava a justiça. Nos tribunais eram aplicados tormentos.
O camponês não dependia somente do senhor. Era gravado também com pesados impostos em favor do rei. O camponês pagava um imposto de bens (a talha), e além desse, complementarmente, em imposto de renda (a vigésima), o chamado imposto real. Mas isso ainda era pouco: havia, também, o imposto por cabeça (a capitação). Além dos impostos diretos, o camponês ainda era esmagado pelos indiretos.
Também o consumo do sal foi gravado com pesados tributos. Para que o camponês não se negasse a comprar o sal, que se tornava desproporcionalmente caro, era obrigado a adquirir pelo menos 7 libras por ano e por pessoa, “para a panela e o saleiro”, isto é, para o consumo na alimentação. Para curtir e para o gado, o camponês tinha que comprar sal em separado. Para evitar que o camponês comprasse sal de contrabando, os contrabandistas eram enviados durante nove anos às galés, ou seja, aos trabalhos forçados como remadores, encadeados em seus bancos. No caso de reincidência, o traficante de contrabando de sal era enforcado. Também eram ferozmente castigados os camponeses que compravam sal sem pagar o respectivo imposto.
Destacamentos especiais de inspetores armados expulsavam os camponeses dos lugares de onde podiam eles próprios extrair o sal.
O vinho foi gravado com um alto imposto. Para a França que tinha muitos vinhedos e cujos vinhos gozavam de fama em todo o mundo, esse imposto era particularmente importante. Vinte e sete mil inspetores fiscais revolviam as adegas camponesas, mediam os tonéis, contavam as garrafas.
Nas barreiras, cobravam-se de todos os pedestres e viajantes pela passagem. Não menos de um milhão e meio de camponeses, na França, foram reduzidos à situação de vagabundos, que perambulavam por todas as partes e se dedicavam ao roubo. As grandes estradas na França não tinham qualquer segurança contra os assaltantes.
Certo bispo, pouco antes da revolução, escrevia: “O povo de nossas aldeias vive na mais horrível pobreza, em cavernas vazias, sem camas nem mesas. Entre a maioria escasseia o alimento e não dá nem para meio ano até mesmo a farinha de centeio e de aveia, seu alimento principal. Mas, também, desse alimento, o camponês se vê obrigado a privar-se e a privar os filhos, para poder pagar os impostos”.
Se o camponês ficava impossibilitado de pagar os impostos, punham-se à venda seu gado e seus instrumentos de trabalho.
A luta do povo grego pela independência
O grande país da Antiguidade, a Grécia, no século XIX era uma província turca de segunda ordem. Nos vales da Grécia viviam camponeses os raias, que conservavam o cristianismo, gravados com um pesado tributo, em benefício dos conquistadores turcos. Nas montanhas viviam os belicosos cleftas, camponeses montanheses, que infundiam medo aos turcos com suas incursões. Nas ilhas estava fortemente desenvolvido o comércio: quase todo o comércio de cereais da Rússia com a Europa ocidental era realizado por mercadores gregos intermediários.
Em 1821 teve início, na Grécia, a luta pela independência, que se prolongou por 8 anos, até 1829. Aproveitando-se das divergências existentes entre a Turquia e as grandes potências europeias (em 1827, a esquadra anglo-franco-russa unida iniciou, na baía de Navarino, ações bélicas contra a frota turco-egípcia), os gregos conseguiram que seu país fosse reconhecido como Estado independente. Na luta do povo grego por sua independência participou o grande poeta inglês Byron, que sacrificou a vida pela causa da libertação da Grécia, morrendo de febres na frente de combate.
As teorias políticas reacionárias e a corrente reacionária no romantismo
O conde José de Maistre, de Sabóia, em 1792, depois da incorporação Da Sabóia à França revolucionária, abandonou sua pátria e entrou a serviço, primeiramente, do rei da Sardenha e, depois, radicou-se em Petersburgo, na corte czarista. Com o fim de lutar contra as revoluções, De Maistre propunha restaurar na Europa o poder político ilimitado do Papa romano. Entusiasmava-se com o regime medieval de castas e apelava para a restauração desse regime. Na Rússia, De Maistre elaborou um “Memorandum sobre a instrução pública na Rússia”, no qual sugeria “não prestar, de modo algum, proteção à extensão dos conhecimentos científicos entre as camadas inferiores do povo”. Esse obscurantista afirmava que “as ciências naturais são diretamente nocivas”. Considerava perigosa a literatura e propunha proibir, em geral, o ensino da história. “Toda nova invenção” – dizia De Maistre – é simplesmente uma desgraça”.
O realismo na literatura. Balzac
“Devorais uns aos outros como aranhas. Não existem princípios, há somente circunstâncias, e o homem inteligente se adapta a elas para depois transacionar com elas de maneira nova”.
Indústria, transporte e comunicações
Os instrumentos mecanizados e as máquinas a vapor apareceram pela primeira vez na Inglaterra nos fins do século XVIII. No século XIX, a produção fabril se estendeu também aos demais países da Europa e à América do Norte. As próprias máquinas passaram a ser fabricadas, não à mão, como antes, mas por meio de outras máquinas.
O desenvolvimento da técnica trouxe muitas modificações no modo de vida. Algumas delas foram as velas de estearina (em lugar das de sebo), as lâmpadas de querosene, a venda de roupas feitas, a tapeçaria de papel. Nas ruas apareceram, pela primeira vez, os lampiões à gás.
Nesse mesmo período verificou-se também uma transformação básica no transporte. Em 1807, Fulton adaptou uma caldeira, uma máquina a vapor e rodas de remo a um navio fluvial. O vapor de Fulton partiu de Nova York e na sua primeira viagem percorreu 240 quilômetros pelo rio. Entusiasmado pelos resultados dessa viagem, Fulton escrevia: “Adiantei-me a todas as lanchas e embarcações. Parecia que todas elas estavam ancoradas”.
Pouco depois, os vapores adaptaram-se à navegação marítima. Em 1819, o primeiro vapor realizou uma viagem através do Atlântico, porém numa parte da viagem, por falta de carvão, foi preciso navegar a vela.
O emprego, com êxito, do vapor no transporte aquático levantou o problema de se era possível também utilizá-lo para o transporte por terra. Bem depressa comprovou-se que era possível.
Em 1814, o filho de um operário inglês, engenheiro autodidata Stephenson, construiu a primeira locomotiva, que conduzia oito vagões e fazia seis quilômetros por hora. Em 1825, foi inaugurada na Inglaterra a primeira estrada de ferro de utilização pública, cujos trens desenvolviam uma velocidade de 10 quilômetros. Nos meados do século XIX, os trens já alcançavam uma velocidade de 50 quilômetros por hora.
Nos primeiros tempos, as estradas de ferro infundiam medo. Os médicos alemães, por exemplo, afirmavam que era preciso proibir a construção de estradas de ferro, e se isso não fosse possível, era preciso cercá-los de valas mais altas do que um homem para que o gado não se assustasse e as pessoas não enlouquecessem. Os reacionários, porém, não puderam impedir a construção de estradas de ferro. Em 1830, a extensão da rede ferroviária em todo o mundo era somente de 332 quilômetros. Cinco anos mais tarde essa extensão alcançava 8.000 quilômetros e, em 1870, mais de 200.000 quilômetros.
Um dos meios atuais mais importantes de comunicação, o telégrafo elétrico foi inventado, em 1837, pelo norte-americano Morse. Logo começaram a ser estabelecidas as primeiras linhas telegráficas de utilidade pública.
Fonte:
Publicação: Centro do Livro Brasileiro
Lisboa – Porto
Arranjo Gráfico: Esfera Publicidade
Impressão e Acabamentos: Agapê Estúdio Gráfico
Páginas: 27/28/104/105/116/240
Exemplar disponibilizado pela Biblioteca de Rua ACISAP.



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