domingo, 26 de julho de 2020

Ocasião e Circunstâncias



Ocasião, ao lembrar Carlos Reverbel, parafraseando outrem – que respondia algum questionamento embaraçoso, como por exemplo:

- Por que o Sr. não…..?

A resposta:

- Por falta de ocasião!

Circunstâncias surgem da (re)leitura do Compêndio de Introdução à Ciência do Direito, de Maria Helena Diniz, edição 2003, trecho inicial, antes da centésima página, sobre conduta do ser humano, trabalhando os conceitos de um autor mexicano do início do século XX.

Releitura não seria propriamente, porque o livro foi utilizado na disciplina de Introdução ao Estudo do Direito, não por recomendação expressa da professora, mas como subsídio para provas e trabalhos, tendo em vista que em geral, não anotava quase nada dos conteúdos ministrados.

Um pouco por cansaço, outro pouco por desleixo, e pela questão física de ocupar a última cadeira de uma sala com 85 alunos…

O fundo da sala é uma selva, discussões aguerridas sobre a série C do Campeonato Brasileiro, coisas de suma importância para a formação acadêmica…

Uma hora vou escrever mais sobre a faculdade, ou não…

Pois bem, no devaneio dominical, “deu certo”, combinamos um passeio, saímos com pouco compromisso, sem (mas com) rumo, factível de retorno em um final de semana…

A fronteira Oeste sempre me convida!

E temos essa questão!

Que joga um rio de água fria, gelada, em qualquer plano.

Sobra imaginação, para quem dispõe dela, falta consecução.

A quem desafia o cotidiano, fica a probabilidade real, o aleatório.

Para quem desafiou, restou curar-se ou perecer.

Sobre leituras, lembro charge de Tom Gauld. Retrata uma estante, a cor das lombadas dos livros com legenda, separada por cores: livros que li, que não li, a ler, que fingi ter lido, e assim por diante…

Sobre o Compêndio, ele ficou “para trás” quando observei que a apostila da profe era baseada em um livro dos anos 70, do tempo em que o pai cursou Direito e manteve sob custódia em casa: Bingo!

Agora, a leitura é maçante, mas insisto.

Ninguém falou que seria fácil.

Levei um mês para ‘matar’ um livro de Processo Civil de 500 páginas. Nesse ritmo…

Às vezes, fico 3 dias sem abrir um livro.

Tecnologia tem me enfarado, ontem que rebusquei uns sites e, lendo artigo do El País sobre o disco de Metal mais vendido da história, a tragédia e a sequência da banda, ouvi todo o Back in Black do AC/DC.

Desculpe, tive muito tempo ouvindo música dita nativista e regional.

Escrevendo isso, retomei quase todos os vídeos do Chango Spasiuk, fazia tempos que não ouvia ele, até repassei os álbuns para um pen drive, hora dessas toca, se não houver erro de leitura e uma gloriosa mensagem “no device” aparecer no player.

Ao escrever, refiro que essa madrugada caiu o resto do galpão que havia nos fundos da casa que foi da Vó (a casa foi vendida). Estrondo forte, um tiro, prefiro não estender o tema.

Sobre negações, conceitos e definições, interessante o áudio extraído de um vídeo do Major Olímpio (está no ‘kinder ovo’ do Foro de Teresina 110), citando uma ‘pá’ de termos maçônicos.

Qual a parte da sociedade secreta que essa turma não entendeu?

Fiquei como o título de um disco do Mário Rubens Batanolli (Mano) Lima, “Um Homem Fora de Seu Tempo”.

E lembro que além da existência de grupos de “zap”, o que coloca em dúvida a “secretitude” (sic!, muito sic!, sic mesmo, tá?) dessa organização lendária e secular. Lembro até que o mesmo “Mano” teve fotos de sua iniciação divulgadas na rede.

Citando a Revista Piauí, li um artigaço na edição 164, tendo por título ‘Os Subterrâneos’. Uma verdadeira viagem, para quem está, como disse ao Sr. Darci Leopoldo Uhry essa semana que passou, na “peceva”.

De fungos, a micorrizas, conexões intra arbóreas, a Floresta de Epping, na Inglaterra, território de caça de um Rei no século XII. Graças ao Dr. Google, temos condições de ir até lá, “dar uma espiada, uma abaixadinha” (Opa!, isso é uma letra do Tchan Tchaaann!!).

Da floresta, o autor vai a Chernobyl, ao maior fungo do planeta, com 4 km de largura, no Oregon, se não me engano, à uma ilha no Canal do Panamá, experiências científicas, borbulhas de seiva auscultadas com estetoscópio, experimentos envolvendo abelhas e cidra feita com frutos da famosa macieira de Sir Isaac Newton.

Muito bem, levando a leitura à associação de como alguém provido de muita criatividade assimilaria tal reportagem… E como repassaria a outros interlocutores, naquele ditado do Rillo de quem “conta um conto, acrescenta um ponto.”

Pois sobre destinos, numa saída rápida, sem parada, mantendo os limites de velocidade impostos pela legislação e sinalização de trânsito, estive após 2 anos em Tucunduva. Mauá está fechado e, naturalmente, os outros portos deviam estar abarrotados no final de tarde de sábado ensolarado à beira do Rio Uruguai. Tuparendi não entrei, estava na hora do lusco-fusco, melhor guardar a última imagem, do cumprimento mui cordial de uma moça, não sei se por susto ou troça, quando estive por lá, de bicicleta, no início do ano.

Destino porque a tragédia encampa esse escrevente, com pitadas de melancolia. Em Tucunduva pereceu tragicamente o Legenda, como o Maurício Hermann se refere ao Roque Moos.

Não fale mal do cavalo”, conforme o Maurício, era o mantra que utilizava para se referir à motocicleta. É ela que colocou o ciclista em alguma enrascada, ela vai tirá-lo. Não no caso do Legenda, infelizmente.

Mas o Mauricião citou o ditado como dica para não nos queixarmos do serviço. Sábia dica!

Tudo passa, tudo passará!

Chega mais, Dom Mario: eles passarão, eu passarinho!

E vem, como em outro texto, Yalom.

Deveria gravar os insights, para depois verter ao papel, mas tenho a certeza que causaria espécie, falando de coisas aleatórias, ficaria um caso curioso, e de curioso basta O Curioso Caso de Benjamin Button. Aqui foi mais um parágrafo para a pausa da piadinha super, super engraçada.

Bueno, como amanheci ‘universitário’, Yalom me foi apresentado – e aos outros 84 colegas matriculados na mesma sala; que tinha audiência máxima nos períodos em que as ausências chegavam próximas a 25 %, tendo em vista a frequência de 75 % a ser observada contratualmente pelo aluno - por um professor de Teoria Geral do Processo. Lembro que exercia a magistratura em Santa Rosa e tinha São Jerônimo como cidade natal.

Esse professor, em ímpeto de indignação, certa noite teceu comentário sobre “poder”, em sentido amplo:

- “É como um grande tonel, cheio de excremento...”

Ele não falou o termo excremento, estou normalizando e respeitando a(o) minha(eu) leitora(o).

Outra feita, teceu ilação sobre ‘faz de conta’:

- Eu faço de conta que dou aula;

- Vocês fazem de conta que prestam atenção;

- A Administração faz de conta que está tudo bem.

Na apresentação do escritor em comento, tinha sido lançada a obra “Quando Nietzsche Chorou”, e o professor relatou que não se termina um livro de Yalom da mesma forma como se começou…

Agradeço parapsicologicamente ao maestro, mesmo tendo sido omisso aos conteúdos afeitos à disciplina. Essa parte eu tirei proveito, chegando a memorizar um trecho que diz: “as coisas que você fez o colocaram nisso; as que fizer, poderão tirá-lo disso”.

E voltamos à teoria do Legenda.

Deve ser conhecimento universal, tradição, não pode ser coincidência. Ou talvez circunstância.

Creio que não, não tem lógica.

Lógica que, como brinca o professor Ítalo Romano Eduardo, é como procurar um chapéu preto, num quarto desprovido de iluminação, sabendo que o mesmo não está lá.

Ausência de lógica foi o presente texto, agradecendo a audiência e a paciência, como diria o grande filósofo Fausto Silva, pelo tempo dispendido em sua leitura, e que talvez tenha sido de valia para, pelo menos, preencher as horas de um domingo, ou de outro dia qualquer, nesse inverno pandêmico ou em vindouras épocas. Avante!

P.S.: Inconscientemente, o fecho ficou analogamente parecendo com o presente na obra “Você não merece ser feliz, como conseguir mesmo assim”, do Craque Daniel. Lamento. E ‘até’!

domingo, 14 de junho de 2020

20 mandamientos para ser feliz de Pau Donés


1. Que sepamos vivir el presente.

2. Que no perdamos el tiempo pensando en el futuro.

3. Que dejemos de creer en la suerte y creamos en nosotros mismos.

4. Que dejemos de hacer montañas de granitos de arena.

5. Que la tristeza nos dé ganas de reír. Que nos riamos mucho.

6. Que cantemos en la ducha, en los bares, en las bodas, en las cenas con losamigos o donde nos apetezca cuando nos venga en gana.

7. Que aprendamos a decirnos “te quiero” sin que nos dé vergüenza.

8. Que nos besemos, nos toquemos y nos achuchemos mucho.

9. Que nos escuchemos tanto como sepamos compartirnos en silencio.

10. Que nos queramos, a los demás y sobre todo a nosotros mismos.

11. Que nos peleemos lo menos posible. Estar enfadado es una gran y estúpida pérdida de tiempo. ¡A la mierda el ego y el orgullo!

12. Que nos dejemos de rollos, de chorradas, de hacer ver lo que no somos, que eso no sirve pa’ ná.

13. Que le perdamos el miedo a la muerte, pero también le perdamos el miedo a vivir.

14. Que decidamos por nosotros mismos. Que nunca dejemos que los demás decidan por nosotros.

15. Que cuando la vida nos cierre una ventana sea cuando más abramos las alas para romper el cristal y salir volando.

16. Que las cosas nos lleven adonde sea, pero que nos vayan bien.

17. Que los cerebros de zafios, hipócritas, memos, mamelucos, corruptos, pesaos, estúpidos, tocapelotas, mentirosos, gilipollas... se reprogramen y entiendan que en la vida no hace falta ser así, que la vida va de otra cosa.

18. Que a las penas, puñaladas y al mal tiempo, buena cara. O mala, que tampoco pasa nada.

19. Que la vida sea siempre un sueño.

20. Y, en fin, que a la vida le demos calidad, porque belleza sobra.

Fonte: https://www.infobae.com/america/entretenimiento/2020/06/13/antes-de-morir-pau-dones-dejo-escritos-sus-20-mandamientos-para-ser-feliz/
Acesso: 14/06/2020

sábado, 13 de junho de 2020

Programa Tropeadas - Nilson Amaral - Rádio Giruá AM 1090 (13/06/2020)



Destaques:
Chimarreando com a Gauchada

Homenagem ao Pai do Gaitaço
Itacurubi (Ivinho Stefani)
Jorge Missioneiro
Os Montanari
Mensagem ao aniversariante Osvaldo Corrêa do Santos, 97 anos
Referência a Jorge Freitas
Oração do Gaúcho
Vou me Despedir Cantando (Porca Véia)
Os Mirins
Flor Nativa (Os Serranos)
Tropeadas

Que Linda É Minha Terra (Porca Véia)
Filosofia Gaudéria (Formiguinha)
Quatro Cantos do Rio Grande (Teixeirinha)
Prece (Grupo Musical Cordeona)
A Morte do Pedro Ninguém (Darcy Fagundes)
Sentimento de Trovador (Doné Teixeira)
Carreta (Iedo Silva e Os Farrapos)
João Campeiro (Os Angueras)
Destino de Peão (Porca Véia)
Na Beira da Tuia

Adelar Bertussi
Coração do Brasil (Tonico e Tinoco)
Manuela (Julio Iglesias)
À Media Luz
Tião Carreiro e Pardinho

Crédito Foto: https://www.facebook.com/photo?fbid=605082263446694&set=pcb.605082330113354

domingo, 10 de maio de 2020

Uma Sexta-feira à Noite…

…pendendo pro sábado.


Bom, aqui o rolê será aleatório, já que a “cabeça’ vai a milhão.

Quarentena desde março, mais um outono se encaminhando pra conta…

A amiga cobra palavras, diz que gosta delas…

Ah!!! Se ela soubesse…

Se não quisesse, também, não as escreveria…

Tenho lido, a escrita bem parada.

Dias atrás, nesse turbilhão de acontecimentos, tive um acesso de fazer como um escritor, sentar e só parar na última folha…

O clichê narra que para o “serumano” completo é necessário plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho.

Não sei a ordem desses fatores, acho que pelo menos a ordem de 2, altera o produto.

Lembro Kafka, em ‘O artista da fome’, o personagem não se alimenta, fica exposto em uma jaula, em um circo.

Kafka é uma viagem.

Literalmente passei mal ao terminar A metamorfose… Spoiler… O paisano perde emprego, se isola no quarto, vira uma barata e é morto pelo pai, com uma chinelada…

Kafka é muito forte, mas tem o conto Uma pequena mulher, consegui ficar alegre ao terminar, não sei se é o mesmo sentimento com o momento atual, diante de tanta aberração, o mínimo juízo causa até comoção.

Ouvi muito, durante a noite, uns pagodes da Dona Ludmila, fazia tempos que não ouvia algo fora dos tangos, MPB, música latino-americana.

Extemporaneamente, buscando algo pra saciar a sede de cultura.

A despeito de alguma apologiazinha a atividades ilícitas, até que é uma música que vale a pena…

Até pensei em tirar uma ‘cordeona’, ou violão do estojo para “brincar” de fazer um vanerãozinho; como esse projeto musical tivesse saído da fase da ideação…

“Soledade não é mais solidão”, cantou Dom Maicá.

O título é melhor que o tema, seguramente.

Veja só… Da funkeira ao Tronco [Missioneiro]!!!

Mas ocorre que, dos talentos que almejei, pouco/quase nada se concretizou…

Vaidade achar que na escrita há algum, mas li em algum lugar que para escrever há que ter leitura…

Outro projeto…

Livros parados, hoje li meia página, concentração longe que nem a tal Estação Espacial, a uns 400 km da Terra…

Confissões

Me cobra palavras, diz que gosta delas…

Palavra tem gosto?

Olha a charadinha de 4ª série!!!

“Os amores que eu já tive,
nunca contei a ninguém,
ando sozinho no mundo,
amando e querendo bem,
sou payador missioneiro,
veja a importância que tem.
[Noel Fabrício da Silva “Guarany”]

Porquê?

“Deixa a vida me levar, vida leva eu”… (Pagodinho)

Quem muito escolhe, acaba sendo escolhido (Dona Marta, Costa da Serra, 1998). Como andará Dona Marta, será que vive?

Espinosa (li umas 6 páginas, meu cérebro moeu), mas parece que prega ou até mesmo em vida pregou o desapego…

Confesso que vivi, é um livro de Neruda (não abri, nem vi o filme).

Por conta das contravoltas da vida, adaptaria para “Confesso que não vivi”.

A amiga cobra palavras, ousadamente fiz um caça-palavras.

Ideal está na nossa cabeça e nos padrões que nos [im]puseram…

Também é uma marca de automotriz (olha a piada aí gente!!!) “Eh! Eh! Nóis somo a dupla Ideal!” Tem um LP gravado pelo Jader Moreci Teixeira — Leonardo e outro paisano que o alzheimer me pegou…

Volto ao projeto do livro. Como disse o João Moreira Salles, em vídeo, o documentário precisa roteiro, uma espinha dorsal.

A ideia era fazer uma cronologia.

Só que grande parte dos acontecimentos são coletas e acumulação de coisas que outros viveram…

Pra que ter o serviço de contar histórias de outros se nem eles próprios tiveram interesse em manter essa memória…

E se for das gerações avoengas? (ah! agora vamos ter que dar uma googleada, ou usar o duckduck como sugere o Nigel Goodmann, naquela paranoia de não ceder os dados pra “Rede” [como se isso fizesse diferença].

Vi essa palavra numa foto antiga dum desfile no Viaduto Otávio Rocha. Acho “massa” o viaduto… 

Obra sólida, deve estar fechando 100 anos daqui um tempo, sei lá.

Os avoengos… Passaram os contos de forma oral, mas muito se perdeu…

Ninguém quer ouvir um véio viajando…

No 1984, o protagonista tem interesse ao conversar com um Sr. “de idade” como era no tempo dele, bláblablá. O véio nem lembra mais…

Talvez seja esse o mistério, e a vantagem de ter a possibilidade concreta em fixar a memória a quem interessar possa…

A divagação pegou forte, fugi da moça, como de algumas outras fugi, e paira a dúvida, e a verdade, a realidade vem à tona, cristalina como as águas do Uruguai até esses dias dessa estiagem braba!

Siga el corso, canta o tango, segue o baile, vida que segue…

Prosseguimos, adelante!

O repertório vai escasseando, fazer propaganda, se parar de vítima, pra quê, se as fraquezas e inseguranças transparecem sem ter o que esconder!

“O charque se conhece pelo varal”, disse dom Tolentino Balbé.

Avançar o sinal, e depois ter que encarnar o Davi Canabarro e entregar a Revolução, não sei…

Por pirraça, vale se contradizer e tentar, mas como disse Arnon “não lembro”, “somos todos trapezistas à beira da queda”…

Há pouco começava um texto da Piauí sobre Camus, mais ou menos, ao citar a melancolia desse rapaz (vou escrever de orelhada e sem consulta), o erro ou a falsa percepção talvez se devesse a um erro de visão…

Se fosse possível fazer tal juízo de valor…

Essas laudas estão tomando um rumo como os vídeos do Murilo Couto ou do Gentili, muito tempo sem conteúdo, com doses de Laurinha Lero, falar muito sobre nada…

Pensei

Fazer um poema, faltam rimas.

Uma pintura, não tenho a mínima prática; ia ficar parecendo uma garatuja infantil…

Conto com doses de ficção, à lá cinquenta tons…

E aí, aquele medo…

Subir a escada…

Olha o trapézio!

Olha a queda…

Inverno se aproxima

E uns meses depois, a Marina Lima anuncia: 
“Vem chegando o Verão, o calor no coração” (É isso?)

Pausa dramática

Zeca Blau — “Se envelheceres solteiro, e pensares num retovo, lembra o ditado brejeiro, peito velho, emplastro novo.” 

Escrever, bueno, aqui não tem censura, mas tem o freio mental, o limitador de velocidade, os conceitos, pré-conceitos e preconceitos, e tudo mais que vai acumulando na mente, principalmente as frustrações.

Hawking, na Breve História do Tempo (ou seria na autobiografia?), fala de como percebemos que parece que as coisas dão mais erradas do que certo…

É uma viagem, teria que ir ao livro, e não é essa e nem vai ser a toada.

Aqui é ao vivo e agora, sem filtros, mas com o bom e velho respeito…

De há muito rondo a mim mesmo… (Xirú Antunes)

Idas, vindas, projeções, ideal

O ideal está na ideia. O que é ideal pra mim, não é pra você, e aí estamos empatados.

Se for no jogo de truco, 2 cartas de mesmo valor, se jogadas na 1ª “vaza”, decide-se na 2ª, ganhando a maior, geralmente ao grito de “truco as parda”.

Parece que o termo seria em parda ou a parda, não sei e não vou ao regulamento, bateu uma revolta escrita nessa altura do campeonato…

Reticências

Muitas reticências, gosto das reticências, é o silêncio transcrito ao papel, junto à vírgula, que é o corte do raciocínio.

Silêncio

Mercadoria cara, no sentimento ou acepção da palavra.

Difícil é fazer o simples (Glênio Fagundes)

Realidade Paralela

Será que desenvolveram “Irrealidade”?

A realidade não me apetece, por isso sigo caminhos, mesmo estando parado…

Flor, que desabrocha no serão, tem que ser cor da areia, que vive ao seu redor, constante sol ou então será uma só… (Francisco Trindade “Chico” Saratt)

Diferenças

Métricas, qualidades, quantidades.

E voltam os juízos de valor, as vergonhas e a coragem já quase dormida.

De fazer o quê?

Provavelmente nada.

Seria o fim?

O início?

Quem sabe?

Nem eu sei.

Você sabe?

Rafael 09/05–01:22

OBS: “em breve” no Blog

Mas isso não impede que eu repita, é bonita, é bonita e é bonita (Gonzaguinha)

Ela vem toda de branco, toda molhada e despenteada, que coisa linda, que maravilha que é o meu amor (Benjor)

Meu bem, guarde uma frase pra mim, dentro de uma canção, esconda um beijo pra mim, dentro da dobra do blusão (Belchior)

No pós escrito, após a letargia, o chá com mate entrega euforia, não no arrebate, mas na insônia.

Prosseguir, ampliar o caudal sem eira nem beira?

Não! Parar, por enquanto.

Baixar armas, o combate, já perdi, ou não vou ganhar.

Se Sun Tzu pudesse ouvir, o resultado não seria nada favorável a esse que escreve…

Rascunho de um bilhete suicida (Sérgio Sant’Anna)

Quando anoiteceu, saí à rua, disposta a entregar-me ao primeiro que passasse, por dinheiro. Depois de consumado o ato, não tive coragem de cobrar. Descobri que era uma amadora irremediável


Esse “Rascunho” foi escrito para ser dito pela personagem Ercília, da peça Vestir os Nus, de Luigi Pirandello, que será encenada pelo Atelier de Manufactura Suspeita, em São Paulo.

ERCÍLIA:

– O bilhete do suicida é o mais breve dos gêneros literários.

– Para confirmar a tese, telefonei para o maior entendido no gênero, o contista brasileiro Dalton Trevisan. Ele atendeu e disse: “Eu não estou.”

– Portanto, estou só. Aliás, sem o advérbio, seria um bilhete perfeito. Só que mentiroso. O que mais tem é gente fungando no meu pescoço. Um oficial de Marinha, um escritor, a senhoria dele, um jornalista e até um cônsul.

– Eu era babá da filha do cônsul, mas um dia ele me atraiu e, enquanto me comia, a menina caiu do terraço da casa e morreu.

– Não. “Me comia” fica muito mal num último bilhete. “Enquanto eu me entregava a ele”, fica melhor.

– Antes eu já perdera a virgindade para o oficial de Marinha, que me prometeu casamento.

– Depois da tragédia, cheia de remorsos, fui para Roma e descobri que meu noivo havia ficado noivo de outra.

– O dono do hotel vagabundo onde me hospedara disse que, se eu não pagasse a conta, me poria na rua aquela noite.

– Quando anoiteceu, saí à rua, disposta a entregar-me ao primeiro que passasse, por dinheiro. Mas, depois de consumado o ato, não tive coragem de cobrar. Descobri que eu era uma amadora irremediável.

– Só me restava assim, tão dura e desonrada, tomar a cápsula de veneno que trazia comigo, como saída de emergência.

– Mas isso não é um bilhete de suicida. Merda… Oh, desculpem-me. É o resumo da minha história.

– Se coubessem reflexões num bilhete do gênero, eu poderia me perguntar se não trazia comigo uma vocação para dar e para o suicídio.

– Assim: primeiro o desejo de morrer, depois a busca dos motivos.

– Na Roma antiga, como na Grécia, suicidar-se ou foder era normalíssimo também para as mulheres. Não, não. Esse verbo, “foder”, não deve entrar no meu bilhete.

– Mas estamos em 1922 e fui socorrida e salva num hospital.

– É verão, nada acontece na cidade e um jornalista veio entrevistar-me e acabou arrancando de mim os meus segredos mais íntimos. Eu não imaginava que ia ocupar a página inteira de um jornal, com fotografia e tudo. São uns abutres, os jornalistas. Entre outras coisas, disse que o motivo principal para me matar fora a traição do oficial de Marinha.

– Foi então que veio visitar-me o grande escritor. Lera minha triste história no jornal e convidou-me para morar em seu apartamento. Disse que me queria para um romance.

– Fiquei honradíssima, claro, em ser personagem do romance de um grande escritor.

– Mas, chegando em sua casa, ele falou que me queria para viver um romance de verdade com ele. Eu era magra, frágil, pálida, mortiça. O seu tipo.

– Alguém já me advertira de que a maior parte dos escritores escreve para comer as mulheres, tirando as alegres, claro. Deste parágrafo eu não retiraria o “comer”. Le mot juste, como aconselhava o grande ídolo deles, Gustave Flaubert.

– Já os jornalistas nem precisam de mulher. Eles gozam com suas próprias matérias sórdidas.

– Só que o apartamento não era do escritor, e a senhoria dele me tratou como a uma vagabunda. O escritor a pôs para fora e, quando ela voltou, tratou-me como se eu fosse sua filha. Pois lera os jornais e descobrira que eu me tornara uma celebridade.

– O escritor mostrou-me sua cama, que ele me cederia com prazer. Mostrou-me também o seu escritório, uma bagunça inacreditável. Mas é silencioso, ele gabou-se, desde que não se abra a janela, pois os ruídos da rua são como um poema ou uma composição musical futurista.

– Já me caíra nas mãos, por acaso, o Manifesto Futurista, e vi que os membros do movimento desprezavam as mulheres. Preferiam as locomotivas. Marinetti e seu bando de veados.

– Mas o teatro deles é interessante.

– Porra, minha linguagem se torna cada vez mais chula e nunca chego ao ponto. Ao bilhete.

– Mas falta ainda contar que minha vida na residência do escritor virou um entra-e-sai danado, como no teatro. Vieram ver-me, cada um com seus motivos, o cônsul, o jornalista e o meu ex-noivo, que deixara a Marinha. Queria de novo casar-se comigo, reparar o seu erro, emocionado porque eu tentara matar-me por sua causa.

– Eu o fiz ver que aquilo foi o primeiro motivo que me veio à cabeça, para dizer ao jornalista. Na verdade, o desprezava.

– Um oficial de Marinha, depois que despe o uniforme, é lamentável, com o seu penduricalho ridículo.

– Acabei caindo fora, a pretexto de buscar minha mala que ficara no hotel, pois o escritor pagara a minha conta.

– Nela havia uma outra cápsula de veneno.

– Mas, porra, nada de bilhete, ainda.

– Quem sabe não ficaria melhor um bilhete meio abstrato, vago, simbolista?

– Assim: uma certa lassidão, a noite que não chega no verão dessa cidade em ruínas. O som de uma lira imaginária no longo crepúsculo de fogo.

– Ou algo mais triste e concreto. A lembrança de um filhote de pássaro agonizante na calçada enquanto multidões de futuristas continuam a passar. Eu sou esse pássaro.

– Ou: morro porque desejo para sempre as doces trevas, um eclipse total do sol e do ser. Caralho, que poesia ruim.

– Ah, eureca! Talvez o mais breve e eloqüente dos bilhetes de suicida seja o bilhete nenhum.

– Mas os gestos precisos, sim.

– Tomo o veneno e corro de novo, para o apartamento do escritor. Antes de entrar, despi-me de toda a minha roupa.

(Mudando o tom de voz, para um mais masculinizado. Ou eu mesmo, Sérgio Sant’Anna, posso dizer essa fala:)

– O que você quer? – ele disse, vendo-me tonta e nua, caindo sobre minha mala.

– A sua cama – eu disse.

– À vontade – ele disse, esfregando as mãos de cobiça por meu corpo.

– Ambígua até na morte – ele acrescentou. – Assim será no meu romance.

– Também, que vantagem, pensei. É um profissional.

– E se conseguir trancar a porta por dentro, fora das vistas dos outros, talvez se deite comigo em minha agonia, ou mesmo depois de minha morte.

– Tenho o romance perfeito, em mais de um nível – ele diz, trancando a porta.

– E eu, na agonia, aprendo mais um segredo daquele ofício dúbio.

– Mas, e o bilhete? Depois de todas essas palavras, vejo-o cintilar, breve e belo:

– ESTA AQUI NÃO PÔDE VESTIR-SE NEM NA MORTE!

Ela rasga seus papéis em pedacinhos, que atira para o público, como confete:

– Mas melhor ainda, repito, é o silêncio. Tout le reste est littérature.

A frase em maiúscula é mesmo de Pirandello, embora não haja nenhum bilhete.

Fonte: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/rascunho-de-um-bilhete-suicida/
Acesso: 10/05/2020

terça-feira, 7 de abril de 2020

Vença a tentação de procrastinar (Willian Vieira)

Postergar não é se entregar à preguiça. Quem procrastina faz muitas coisas, só não o que deveria. Eis algumas dicas para fazer hoje o que você costuma deixar para depois


Liste as missões fáceis e as quase impossíveis – Procrastine, mas de maneira estruturada. Autor de “A Arte da Procrastinação”, o professor de Stanford, John Perry, sugere que você faça “esse mal funcionar para você”. Coloque na sua to do list tanto as tarefas simples de concluir (como regar as plantas), quanto aquelas que lhe causam temor ou aversão. Fica mais fácil enfrentar o monstro da lista quando você está feliz por riscar outros itens.

Divida uma tarefa complexa em pequenos passos – Repensar o tamanho de uma tarefa, dividindo-a em nacos que possam ser abocanhados, digeridos e celebrados – o que os psicólogos comportamentais chamam de microscheduling – ajuda. Planejar um grande projeto em etapas curtas é uma maneira de reduzir a ansiedade e de controlar a impulsividade. Pessoas mais impulsivas costumam procrastinar em busca de um prazer imediato. Afinal, por que esperar a conclusão de uma árdua tarefa se podemos sentir algo parecido, em menor escala, rolando o feed do Instagram? Para esses casos, a dica é associar uma recompensa a cada item concluído. Vale um chocolate, um happy hour (virtual, afinal é o que dá no momento) ou um cochilo de cinco minutos no sofá.

Evite distrações e a lenda do multitarefa – Um estudo no “Journal of Experimental Psychology” concluiu que ser “multitarefa” é pouco eficiente, já que o cérebro demora para mudar completamente de uma tarefa para outra, o que pode custar 40% do tempo produtivo. Evite ter muitas coisas para enfrentar ao mesmo tempo. É o que os psicólogos chamam de “controle de estímulos”: quanto menos tentações estiverem disponíveis (um chat aberto, uma página de notícias ao lado do seu Excel ou o Whatsapp no desktop), mais fácil focar no que se precisa ser feito.

Faça pausas, dê uma caminhada, desconecte-se – O corpo leva 90 minutos para ir de um estado de atenção total para a fadiga, como explica Tony Schwartz, autor do livro “The Way We’re Working Isn’t Working”. O ideal seria alternar uma hora e meia de foco total com 20 minutos de descanso. Método similar à Técnica Pomodoro (pense no popular cronômetro gastronômico na forma de um tomate, pomodoro em italiano), que sugere colocar um cronômetro para 25 minutos, trabalhar em uma única tarefa com todo o foco possível e, ao final, parar por cinco minutos. Depois, repetir o ciclo.
Uma pesquisa publicada em 2016 no “International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity” apontou que levantar a cada hora e caminhar por cinco minutos melhora o humor e combate a letargia, sem reduzir a atenção.

Descubra o que te faz deixar coisas para depois – Todos procrastinam, em maior ou menor escala. Muitos de nós, inclusive, “herdam” geneticamente a tendência, segundo estudo do Dr. Daniel Gustavson, da Universidade do Colorado. Mas é preciso acreditar que algo pode mudar. “Faça uma reavaliação cognitiva”, escreve a professora e psicóloga na Universidade de Sheffield, Fuschia Sirois. Entenda o que sente, rotule o sentimento que impede a realização da tarefa e lide com ele.                     

Fonte: https://gamarevista.com.br/bem-estar/5-dicas/venca-a-tentacao-de-procrastinar/
Acesso: 07 abril 2020

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Promessa de Amor do Índio Pobre (Colmar Duarte)



O pingo,
Atado ali no parapeito,
Mascando o freio,
Farejando a noite,
Foi a única testemunha desse adeus.
Duas gotas de luz vieram brincar
Nos olhos cor de mel
Da moça triste.
E seus lábios ficaram entreabertos
A tremer como um pássaro assustado.
E nem os vaga-lumes,
Distraídos
A costurar o escuro,
Escutaram
A promessa de amor
Do Índio pobre:
- Eu voltarei para buscar-te, um dia,
Mas antes andarei muitos caminhos
À procura de um mundo
Pra te dar.
Retornarei a ti
Na voz do vento
Que sussurra acalantos nas planuras
Como a ninar
O sonho que embalamos.
E teus olhos,
Profundos como o tempo,
Que enfumaça recuerdos e distâncias,
Me entregarão o brilho das estrelas
Que florescem no abismo das lonjuras,
Nas madrugadas dessas noites mansas.
Eu voltarei para trazer-te, um dia,
Um vestido de nuvens e de espumas
E um véu tecido com fios do luar.
Depois, farei moldar nossas alianças
Com todo ouro que puder guardar
Do último clarão
Que um sol, no ocaso,
Filtrar entre a ramagem das figueiras.
Teu anel de noivado
Enfeitarei
Com a pedra preciosa de um luzeiro,
Engastada no canto dos sabiás.
Pela estrada de luz
Da Via Láctea
Tu chegarás a mim
Sorrindo então...
Uma tiara de lua
Em teus cabelos
E uma rosa de aurora
Em tuas mãos.

Romance das Invernadas (Aureliano de Figueiredo Pinto)




Nestas duas invernadas,
entre a em que estás e a em que estou
nosso Destino alinhou
os cernes das moironadas.
Os sete fios espichou
e um do outro nos separou
pelo vão do corredor
e as cercas emparelhadas.

Estar próximos e longe
é um dever que já é costume
pelos verões agüentados.
Vens no campeiro perfume!
E a minha voz vai no vento
por cima do impedimento
da faixa dos alambrados.

E relutamos cada um
em ir para o seu rodeio!
E se vamos, já volvemos,
mesmo sabendo que temos
estas divisas no meio.

Quando o sol nasce nos banha
aos dois de um mesmo fulgor.
E esta paixão se abre em flor
como a orvalhada campanha.

Quando o sol morre e se entranha
na lomba ao longe... e o arrebol
as sombras longas esmagam,
nossas pupilas se apagam
na sepultura do sol.

Se, na estrada, um andarengo,
por horas mortas cruzar,
verá aos lados, de relance,
dois vultos vivendo o transe
e o pastoreio-romance
das quentes noites de luar.

E mesmo assim apartados,
da mesma sanga bebemos!
Nos mesmos campos rondamos.
Varando os mesmos tapumes
os riscos dos vaga-lumes
são cartas que nos mandamos.

Sempre na mesma querência,
com a mesma emoção sentida,
livres da inveja e da injúria
vamos grameando a penúria
dos impossíveis da Vida.

Aureliano de Figueiredo Pinto. Romances de Estância e Querência – Marcas do Tempo. 3 ed. Porto Alegre: Movimento, 1997.