2. Que no perdamos el tiempo pensando en el futuro.
3. Que dejemos de creer en la suerte y creamos en nosotros mismos.
4.Que dejemos de hacer montañas de granitos de arena.
5. Que la tristeza nos dé ganas de reír. Que nos riamos mucho.
6. Que cantemos en la ducha, en los bares, en las bodas, en las cenas con losamigos o donde nos apetezca cuando nos venga en gana.
7. Que aprendamos a decirnos “te quiero” sin que nos dé vergüenza.
8.Que nos besemos, nos toquemos y nos achuchemos mucho.
9. Que nos escuchemos tanto como sepamos compartirnos en silencio.
10.Que nos queramos, a los demás y sobre todo a nosotros mismos.
11. Que nos peleemos lo menos posible. Estar enfadado es una gran y estúpida pérdida de tiempo. ¡A la mierda el ego y el orgullo!
12. Que nos dejemos de rollos, de chorradas, de hacer ver lo que no somos, que eso no sirve pa’ ná.
13. Que le perdamos el miedo a la muerte, pero también le perdamos el miedo a vivir.
14. Que decidamos por nosotros mismos. Que nunca dejemos que los demás decidan por nosotros.
15. Que cuando la vida nos cierre una ventana sea cuando más abramos las alas para romper el cristal y salir volando.
16.Que las cosas nos lleven adonde sea, pero que nos vayan bien.
17.
Que los cerebros de zafios, hipócritas, memos, mamelucos, corruptos,
pesaos, estúpidos, tocapelotas, mentirosos, gilipollas... se reprogramen
y entiendan que en la vida no hace falta ser así, que la vida va de
otra cosa.
18. Que a las penas, puñaladas y al mal tiempo, buena cara. O mala, que tampoco pasa nada.
19.Que la vida sea siempre un sueño.
20.Y, en fin, que a la vida le demos calidad, porque belleza sobra.
Bom, aqui o rolê será aleatório, já que a “cabeça’ vai a milhão.
Quarentena desde março, mais um outono se encaminhando pra conta…
A amiga cobra palavras, diz que gosta delas…
Ah!!! Se ela soubesse…
Se não quisesse, também, não as escreveria…
Tenho lido, a escrita bem parada.
Dias atrás, nesse turbilhão de acontecimentos, tive um acesso de fazer como um escritor, sentar e só parar na última folha…
O clichê narra que para o “serumano” completo é necessário plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho.
Não sei a ordem desses fatores, acho que pelo menos a ordem de 2, altera o produto.
Lembro Kafka, em ‘O artista da fome’, o personagem não se alimenta, fica exposto em uma jaula, em um circo.
Kafka é uma viagem.
Literalmente passei mal ao terminar A metamorfose… Spoiler… O paisano perde emprego, se isola no quarto, vira uma barata e é morto pelo pai, com uma chinelada…
Kafka é muito forte, mas tem o conto Uma pequena mulher, consegui ficar alegre ao terminar, não sei se é o mesmo sentimento com o momento atual, diante de tanta aberração, o mínimo juízo causa até comoção.
Ouvi muito, durante a noite, uns pagodes da Dona Ludmila, fazia tempos que não ouvia algo fora dos tangos, MPB, música latino-americana.
Extemporaneamente, buscando algo pra saciar a sede de cultura.
A despeito de alguma apologiazinha a atividades ilícitas, até que é uma música que vale a pena…
Até pensei em tirar uma ‘cordeona’, ou violão do estojo para “brincar” de fazer um vanerãozinho; como esse projeto musical tivesse saído da fase da ideação…
“Soledade não é mais solidão”, cantou Dom Maicá.
O título é melhor que o tema, seguramente.
Veja só… Da funkeira ao Tronco [Missioneiro]!!!
Mas ocorre que, dos talentos que almejei, pouco/quase nada se concretizou…
Vaidade achar que na escrita há algum, mas li em algum lugar que para escrever há que ter leitura…
Outro projeto…
Livros parados, hoje li meia página, concentração longe que nem a tal Estação Espacial, a uns 400 km da Terra…
Confissões
Me cobra palavras, diz que gosta delas…
Palavra tem gosto?
Olha a charadinha de 4ª série!!!
“Os amores que eu já tive,
nunca contei a ninguém,
ando sozinho no mundo,
amando e querendo bem,
sou payador missioneiro,
veja a importância que tem.
[Noel Fabrício da Silva “Guarany”]
Porquê?
“Deixa a vida me levar, vida leva eu”… (Pagodinho)
Quem muito escolhe, acaba sendo escolhido (Dona Marta, Costa da Serra, 1998). Como andará Dona Marta, será que vive?
Espinosa (li umas 6 páginas, meu cérebro moeu), mas parece que prega ou até mesmo em vida pregou o desapego…
Confesso que vivi, é um livro de Neruda (não abri, nem vi o filme).
Por conta das contravoltas da vida, adaptaria para “Confesso que não vivi”.
A amiga cobra palavras, ousadamente fiz um caça-palavras.
Ideal está na nossa cabeça e nos padrões que nos [im]puseram…
Também é uma marca de automotriz (olha a piada aí gente!!!) “Eh! Eh! Nóis somo a dupla Ideal!” Tem um LP gravado pelo Jader Moreci Teixeira — Leonardo e outro paisano que o alzheimer me pegou…
Volto ao projeto do livro. Como disse o João Moreira Salles, em vídeo, o documentário precisa roteiro, uma espinha dorsal.
A ideia era fazer uma cronologia.
Só que grande parte dos acontecimentos são coletas e acumulação de coisas que outros viveram…
Pra que ter o serviço de contar histórias de outros se nem eles próprios tiveram interesse em manter essa memória…
E se for das gerações avoengas? (ah! agora vamos ter que dar uma googleada, ou usar o duckduck como sugere o Nigel Goodmann, naquela paranoia de não ceder os dados pra “Rede” [como se isso fizesse diferença].
Vi essa palavra numa foto antiga dum desfile no Viaduto Otávio Rocha. Acho “massa” o viaduto…
Obra sólida, deve estar fechando 100 anos daqui um tempo, sei lá.
Os avoengos… Passaram os contos de forma oral, mas muito se perdeu…
Ninguém quer ouvir um véio viajando…
No 1984, o protagonista tem interesse ao conversar com um Sr. “de idade” como era no tempo dele, bláblablá. O véio nem lembra mais…
Talvez seja esse o mistério, e a vantagem de ter a possibilidade concreta em fixar a memória a quem interessar possa…
A divagação pegou forte, fugi da moça, como de algumas outras fugi, e paira a dúvida, e a verdade, a realidade vem à tona, cristalina como as águas do Uruguai até esses dias dessa estiagem braba!
Siga el corso, canta o tango, segue o baile, vida que segue…
Prosseguimos, adelante!
O repertório vai escasseando, fazer propaganda, se parar de vítima, pra quê, se as fraquezas e inseguranças transparecem sem ter o que esconder!
“O charque se conhece pelo varal”, disse dom Tolentino Balbé.
Avançar o sinal, e depois ter que encarnar o Davi Canabarro e entregar a Revolução, não sei…
Por pirraça, vale se contradizer e tentar, mas como disse Arnon “não lembro”, “somos todos trapezistas à beira da queda”…
Há pouco começava um texto da Piauí sobre Camus, mais ou menos, ao citar a melancolia desse rapaz (vou escrever de orelhada e sem consulta), o erro ou a falsa percepção talvez se devesse a um erro de visão…
Se fosse possível fazer tal juízo de valor…
Essas laudas estão tomando um rumo como os vídeos do Murilo Couto ou do Gentili, muito tempo sem conteúdo, com doses de Laurinha Lero, falar muito sobre nada…
Pensei
Fazer um poema, faltam rimas.
Uma pintura, não tenho a mínima prática; ia ficar parecendo uma garatuja infantil…
Conto com doses de ficção, à lá cinquenta tons…
E aí, aquele medo…
Subir a escada…
Olha o trapézio!
Olha a queda…
Inverno se aproxima
E uns meses depois, a Marina Lima anuncia:
“Vem chegando o Verão, o calor no coração” (É isso?)
Pausa dramática
Zeca Blau — “Se envelheceres solteiro, e pensares num retovo, lembra o ditado brejeiro, peito velho, emplastro novo.”
Escrever, bueno, aqui não tem censura, mas tem o freio mental, o limitador de velocidade, os conceitos, pré-conceitos e preconceitos, e tudo mais que vai acumulando na mente, principalmente as frustrações.
Hawking, na Breve História do Tempo (ou seria na autobiografia?), fala de como percebemos que parece que as coisas dão mais erradas do que certo…
É uma viagem, teria que ir ao livro, e não é essa e nem vai ser a toada.
Aqui é ao vivo e agora, sem filtros, mas com o bom e velho respeito…
De há muito rondo a mim mesmo… (Xirú Antunes)
Idas, vindas, projeções, ideal
O ideal está na ideia. O que é ideal pra mim, não é pra você, e aí estamos empatados.
Se for no jogo de truco, 2 cartas de mesmo valor, se jogadas na 1ª “vaza”, decide-se na 2ª, ganhando a maior, geralmente ao grito de “truco as parda”.
Parece que o termo seria em parda ou a parda, não sei e não vou ao regulamento, bateu uma revolta escrita nessa altura do campeonato…
Reticências
Muitas reticências, gosto das reticências, é o silêncio transcrito ao papel, junto à vírgula, que é o corte do raciocínio.
Silêncio
Mercadoria cara, no sentimento ou acepção da palavra.
Difícil é fazer o simples (Glênio Fagundes)
Realidade Paralela
Será que desenvolveram “Irrealidade”?
A realidade não me apetece, por isso sigo caminhos, mesmo estando parado…
Flor, que desabrocha no serão, tem que ser cor da areia, que vive ao seu redor, constante sol ou então será uma só… (Francisco Trindade “Chico” Saratt)
Diferenças
Métricas, qualidades, quantidades.
E voltam os juízos de valor, as vergonhas e a coragem já quase dormida.
De fazer o quê?
Provavelmente nada.
Seria o fim?
O início?
Quem sabe?
Nem eu sei.
Você sabe?
Rafael 09/05–01:22
OBS: “em breve” no Blog
Mas isso não impede que eu repita, é bonita, é bonita e é bonita (Gonzaguinha)
Ela vem toda de branco, toda molhada e despenteada, que coisa linda, que maravilha que é o meu amor (Benjor)
Meu bem, guarde uma frase pra mim, dentro de uma canção, esconda um beijo pra mim, dentro da dobra do blusão (Belchior)
No pós escrito, após a letargia, o chá com mate entrega euforia, não no arrebate, mas na insônia.
Prosseguir, ampliar o caudal sem eira nem beira?
Não! Parar, por enquanto.
Baixar armas, o combate, já perdi, ou não vou ganhar.
Se Sun Tzu pudesse ouvir, o resultado não seria nada favorável a esse que escreve…
Quando anoiteceu, saí à rua, disposta a
entregar-me ao primeiro que passasse, por dinheiro. Depois de consumado o
ato, não tive coragem de cobrar. Descobri que era uma amadora
irremediável
Esse “Rascunho” foi escrito para ser dito pela personagem Ercília, da peça Vestir os Nus, de Luigi Pirandello, que será encenada pelo Atelier de Manufactura Suspeita, em São Paulo.
ERCÍLIA: – O bilhete do suicida é o mais breve dos gêneros literários. – Para confirmar a tese, telefonei para o maior entendido no gênero, o
contista brasileiro Dalton Trevisan. Ele atendeu e disse: “Eu não
estou.” – Portanto, estou só. Aliás, sem o advérbio, seria um bilhete
perfeito. Só que mentiroso. O que mais tem é gente fungando no meu
pescoço. Um oficial de Marinha, um escritor, a senhoria dele, um
jornalista e até um cônsul. – Eu era babá da filha do cônsul, mas um dia ele me atraiu e, enquanto me comia, a menina caiu do terraço da casa e morreu. – Não. “Me comia” fica muito mal num último bilhete. “Enquanto eu me entregava a ele”, fica melhor. – Antes eu já perdera a virgindade para o oficial de Marinha, que me prometeu casamento. – Depois da tragédia, cheia de remorsos, fui para Roma e descobri que meu noivo havia ficado noivo de outra. – O dono do hotel vagabundo onde me hospedara disse que, se eu não pagasse a conta, me poria na rua aquela noite. – Quando anoiteceu, saí à rua, disposta a entregar-me ao primeiro que
passasse, por dinheiro. Mas, depois de consumado o ato, não tive
coragem de cobrar. Descobri que eu era uma amadora irremediável. – Só me restava assim, tão dura e desonrada, tomar a cápsula de veneno que trazia comigo, como saída de emergência. – Mas isso não é um bilhete de suicida. Merda… Oh, desculpem-me. É o resumo da minha história. – Se coubessem reflexões num bilhete do gênero, eu poderia me
perguntar se não trazia comigo uma vocação para dar e para o suicídio. – Assim: primeiro o desejo de morrer, depois a busca dos motivos. – Na Roma antiga, como na Grécia, suicidar-se ou foder era
normalíssimo também para as mulheres. Não, não. Esse verbo, “foder”, não
deve entrar no meu bilhete. – Mas estamos em 1922 e fui socorrida e salva num hospital. – É verão, nada acontece na cidade e um jornalista veio
entrevistar-me e acabou arrancando de mim os meus segredos mais íntimos.
Eu não imaginava que ia ocupar a página inteira de um jornal, com
fotografia e tudo. São uns abutres, os jornalistas. Entre outras coisas,
disse que o motivo principal para me matar fora a traição do oficial de
Marinha. – Foi então que veio visitar-me o grande escritor. Lera minha triste
história no jornal e convidou-me para morar em seu apartamento. Disse
que me queria para um romance. – Fiquei honradíssima, claro, em ser personagem do romance de um grande escritor. – Mas, chegando em sua casa, ele falou que me queria para viver um
romance de verdade com ele. Eu era magra, frágil, pálida, mortiça. O seu
tipo. – Alguém já me advertira de que a maior parte dos escritores escreve
para comer as mulheres, tirando as alegres, claro. Deste parágrafo eu
não retiraria o “comer”. Le mot juste, como aconselhava o grande ídolo deles, Gustave Flaubert. – Já os jornalistas nem precisam de mulher. Eles gozam com suas próprias matérias sórdidas. – Só que o apartamento não era do escritor, e a senhoria dele me
tratou como a uma vagabunda. O escritor a pôs para fora e, quando ela
voltou, tratou-me como se eu fosse sua filha. Pois lera os jornais e
descobrira que eu me tornara uma celebridade. – O escritor mostrou-me sua cama, que ele me cederia com prazer.
Mostrou-me também o seu escritório, uma bagunça inacreditável. Mas é
silencioso, ele gabou-se, desde que não se abra a janela, pois os ruídos
da rua são como um poema ou uma composição musical futurista. – Já me caíra nas mãos, por acaso, o Manifesto Futurista, e vi que os
membros do movimento desprezavam as mulheres. Preferiam as locomotivas.
Marinetti e seu bando de veados. – Mas o teatro deles é interessante. – Porra, minha linguagem se torna cada vez mais chula e nunca chego ao ponto. Ao bilhete. – Mas falta ainda contar que minha vida na residência do escritor
virou um entra-e-sai danado, como no teatro. Vieram ver-me, cada um com
seus motivos, o cônsul, o jornalista e o meu ex-noivo, que deixara a
Marinha. Queria de novo casar-se comigo, reparar o seu erro, emocionado
porque eu tentara matar-me por sua causa. – Eu o fiz ver que aquilo foi o primeiro motivo que me veio à cabeça, para dizer ao jornalista. Na verdade, o desprezava. – Um oficial de Marinha, depois que despe o uniforme, é lamentável, com o seu penduricalho ridículo. – Acabei caindo fora, a pretexto de buscar minha mala que ficara no hotel, pois o escritor pagara a minha conta. – Nela havia uma outra cápsula de veneno. – Mas, porra, nada de bilhete, ainda. – Quem sabe não ficaria melhor um bilhete meio abstrato, vago, simbolista? – Assim: uma certa lassidão, a noite que não chega no verão dessa
cidade em ruínas. O som de uma lira imaginária no longo crepúsculo de
fogo. – Ou algo mais triste e concreto. A lembrança de um filhote de
pássaro agonizante na calçada enquanto multidões de futuristas continuam
a passar. Eu sou esse pássaro. – Ou: morro porque desejo para sempre as doces trevas, um eclipse total do sol e do ser. Caralho, que poesia ruim. – Ah, eureca! Talvez o mais breve e eloqüente dos bilhetes de suicida seja o bilhete nenhum. – Mas os gestos precisos, sim. – Tomo o veneno e corro de novo, para o apartamento do escritor. Antes de entrar, despi-me de toda a minha roupa. (Mudando o tom de voz, para um mais masculinizado. Ou eu mesmo, Sérgio Sant’Anna, posso dizer essa fala:) – O que você quer? – ele disse, vendo-me tonta e nua, caindo sobre minha mala. – A sua cama – eu disse. – À vontade – ele disse, esfregando as mãos de cobiça por meu corpo. – Ambígua até na morte – ele acrescentou. – Assim será no meu romance. – Também, que vantagem, pensei. É um profissional. – E se conseguir trancar a porta por dentro, fora das vistas dos
outros, talvez se deite comigo em minha agonia, ou mesmo depois de minha
morte. – Tenho o romance perfeito, em mais de um nível – ele diz, trancando a porta. – E eu, na agonia, aprendo mais um segredo daquele ofício dúbio. – Mas, e o bilhete? Depois de todas essas palavras, vejo-o cintilar, breve e belo: – ESTA AQUI NÃO PÔDE VESTIR-SE NEM NA MORTE! Ela rasga seus papéis em pedacinhos, que atira para o público, como confete: – Mas melhor ainda, repito, é o silêncio. Tout le reste est littérature. A frase em maiúscula é mesmo de Pirandello, embora não haja nenhum bilhete.
Postergar não é se entregar à preguiça. Quem procrastina faz muitas
coisas, só não o que deveria. Eis algumas dicas para fazer hoje o que
você costuma deixar para depois
Liste as missões fáceis e as quase impossíveis –
Procrastine, mas de maneira estruturada. Autor
de “A Arte da Procrastinação”, o professor de Stanford, John Perry,
sugere que você faça “esse mal funcionar para você”. Coloque na sua to do list
tanto as tarefas simples de concluir (como regar as plantas), quanto
aquelas que lhe causam temor ou aversão. Fica mais fácil enfrentar o
monstro da lista quando você está feliz por riscar outros itens.
Divida uma tarefa complexa em pequenos passos –
Repensar o tamanho de uma tarefa, dividindo-a em
nacos que possam ser abocanhados, digeridos e celebrados – o que os
psicólogos comportamentais chamam de microscheduling – ajuda.
Planejar um grande projeto em etapas curtas é uma maneira de reduzir a
ansiedade e de controlar a impulsividade. Pessoas mais impulsivas
costumam procrastinar em busca de um prazer imediato. Afinal, por que
esperar a conclusão de uma árdua tarefa se podemos sentir algo parecido,
em menor escala, rolando o feed do Instagram? Para esses casos, a dica é
associar uma recompensa a cada item concluído. Vale um chocolate, um
happy hour (virtual, afinal é o que dá no momento) ou um cochilo de
cinco minutos no sofá.
Evite distrações e a lenda do multitarefa –
Um estudo no “Journal of Experimental Psychology” concluiu que ser “multitarefa” é pouco eficiente,
já que o cérebro demora para mudar completamente de uma tarefa para
outra, o que pode custar 40% do tempo produtivo. Evite ter muitas coisas
para enfrentar ao mesmo tempo. É o que os psicólogos chamam de
“controle de estímulos”: quanto menos tentações estiverem disponíveis
(um chat aberto, uma página de notícias ao lado do seu Excel ou o
Whatsapp no desktop), mais fácil focar no que se precisa ser feito.
Faça pausas, dê uma caminhada, desconecte-se –
O corpo leva 90 minutos para ir de um estado de
atenção total para a fadiga, como explica Tony Schwartz, autor do livro
“The Way We’re Working Isn’t Working”. O ideal seria alternar uma hora e
meia de foco total com 20 minutos de descanso. Método similar à Técnica Pomodoro (pense no popular cronômetro gastronômico na forma de um tomate, pomodoro
em italiano), que sugere colocar um cronômetro para 25 minutos,
trabalhar em uma única tarefa com todo o foco possível e, ao final,
parar por cinco minutos. Depois, repetir o ciclo.
Uma pesquisa publicada em 2016 no “International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity” apontou que levantar a cada hora e caminhar por cinco minutos melhora o humor e combate a letargia, sem reduzir a atenção.
Descubra o que te faz deixar coisas para depois –
Todos procrastinam, em maior ou menor escala. Muitos de nós, inclusive, “herdam” geneticamente a tendência,
segundo estudo do Dr. Daniel Gustavson, da Universidade do Colorado.
Mas é preciso acreditar que algo pode mudar. “Faça uma reavaliação
cognitiva”, escreve a professora e psicóloga na Universidade de
Sheffield, Fuschia Sirois. Entenda o que sente, rotule o sentimento que
impede a realização da tarefa e lide com ele.
‘Somos cada vez menos felizes e produtivos porque estamos viciados na tecnologia’
Diana Massis
Da BBC News Mundo
"Há um usuário novo, uma notícia
nova, um novo recurso. Alguém fez algo, publicou algo, enviou uma foto
de algo, rotulou algo. Você tem cinco mensagens, vinte curtidas, doze
comentários, oito retweets. (...) As pessoas que você segue seguem esta
conta, estão falando sobre este tópico, lendo este livro, assistindo a
este vídeo, usando este boné, comendo esta tigela de iogurte com
mirtilos, bebendo este drinque, cantando esta música."
O cotidiano digital descrito pela jornalista espanhola Marta Peirano, autora do livro El enemigo conoce el sistema
(O inimigo conhece o sistema, em tradução livre), esconde na verdade
algo nada trivial: um sequestro rotineiro de nossos cérebros, energia,
horas de sono e até da possibilidade de amar no que ela chama de
"economia da atenção", movida por tecnologias como o celular.
Nesse
ciclo, os poderosos do sistema enriquecem e contam com os melhores
cérebros do mundo trabalhando para aumentar os lucros enquanto
entregamos tudo a eles.
"O preço de qualquer coisa é a quantidade de vida que você oferece em troca", diz a jornalista.
Desde
os anos 90, quando descobriu a cena dos hackers em Madri, até hoje, ela
não parou de enxergar a tecnologia com um olhar crítico e reflexivo.
Seu livro narra desde o início libertário da revolução digital até seu
caminho para uma "ditadura em potencial", que para ela avança aos
trancos e barrancos, sem que percebamos muito.
Marta Peirano foi uma das participantes do evento Hay Festival
Cartagena, um encontro de escritores e pensadores que aconteceu na
cidade colombiana entre 30 de janeiro e 2 de fevereiro. A seguir, leia a
entrevista concedida à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.
BBC News Mundo - Você diz que a 'economia da atenção' nos rouba horas de sono, descanso e vida social. Por quê?
Marta Peirano - A
economia da atenção, ou o capitalismo de vigilância, ganha dinheiro
chamando nossa atenção. É um modelo de negócios que depende que
instalemos seus aplicativos, para que eles tenham um posto de vigilância
de nossas vidas. Pode ser uma TV inteligente, um celular no bolso, uma
caixinha de som de última geração, uma assinatura da Netflix ou da
Apple.
E eles querem que você os use pelo maior tempo possível, porque é assim que você gera dados que os fazem ganhar dinheiro.
BBC News Mundo - Quais dados são gerados enquanto alguém assiste a uma série, por exemplo?
Peirano - A
Netflix tem muitos recursos para garantir que, em vez de assistir a um
capítulo por semana, como fazíamos antes, você veja toda a temporada em
uma maratona. Seu próprio sistema de vigilância sabe quanto tempo
passamos assistindo, quando paramos para ir ao banheiro ou jantar, a
quantos episódios somos capazes de assistir antes de adormecer. Isso os
ajuda a refinar sua interface.
Se chegarmos ao capítulo quatro e
formos para a cama, eles sabem que esse é um ponto de desconexão. Então
eles chamarão 50 gênios para resolver isso e, na próxima série,
ficaremos até o capítulo sete.
BBC News Mundo - Os maiores cérebros do mundo trabalham para sugar nossa vida?
Peirano - Todos
os aplicativos existentes são baseados no design mais viciante de que
se tem notícia, uma espécie de caça-níquel que faz o sistema produzir o
maior número possível de pequenos eventos inesperados no menor tempo
possível. Na indústria de jogos, isso é chamado de frequência de
eventos. Quanto maior a frequência, mais rápido você fica viciado, pois é
uma sequência de dopamina.
Toda vez que há um evento, você recebe
uma injeção de dopamina — quanto mais eventos encaixados em uma hora,
mais você fica viciado.
BBC News Mundo - Todo tuíte que
leio, todo post no Facebook que chama minha atenção, toda pessoa no
Tinder de quem gosto é um 'evento'?
Peirano - São
eventos. E na psicologia do condicionamento, há o condicionamento de
intervalo variável, no qual você não sabe o que vai acontecer. Você abre
o Twitter e não sabe se vai retuitar algo ou se vai se tornar a rainha
da sua galera pelos próximos 20 minutos.
Não sabendo se receberá uma recompensa, uma punição ou nada, você fica viciado mais rapidamente.
A
lógica deste mecanismo faz com que você continue tentando, para
entender o padrão. E quanto menos padrão houver, mais seu cérebro ficará
preso e continuará, como os ratinhos na caixa de [B.F.] Skinner, que
inventou o condicionamento de intervalo variável. O rato ativa a
alavanca obsessivamente, a comida saindo ou não.
BBC News Mundo - Os adultos podem entender isso, mas o que
acontece com as crianças que apresentam sintomas de abstinência quando
não estão conectadas ao Instagram, YouTube, Snapchat, Tik Tok por
exemplo?
Peirano - As redes sociais são
como máquinas caça-níqueis, quantificadas na forma de curtidas,
corações, quantas pessoas viram seu post. E isso gera um vício especial,
porque trata-se do que a sua comunidade diz — se o aceita, se o
valoriza. Quando essa aceitação, que é completamente ilusória, entra em
sua vida, você fica viciado, porque somos condicionados a querer ser
parte do grupo.
Eles [as empresas] conseguiram quantificar essa avaliação e transformá-la em uma injeção de dopamina. As crianças
ficam viciadas? Mais rápido do que qualquer um. E não é que elas não
tenham força de vontade, é que elas nem entendem por que isso pode ser
ruim.
Não deixamos nossos filhos beberem Coca-Cola e comer balas
porque sabemos que o açúcar é prejudicial; mas damos a eles telas para
serem entretidos, porque dessa forma não precisamos interagir com eles.
BBC News Mundo - E o que podemos fazer?
Peirano - Interagir
com elas. Uma criança que não tem uma tela fica entediada. E uma
criança entediada pode ser irritante, se você não estiver disposto a
interagir com ela, porque talvez você prefira estar fazendo outras
coisas.
BBC News Mundo - Olhando para sua própria tela, por exemplo?
Peirano - Vemos
famílias inteiras ligadas ao celular e o que está acontecendo é que
cada um está administrando seu próprio vício. Todo mundo sabe que os
jogos de azar são ruins, que a heroína é ruim, mas o Twitter, o
Facebook, não — porque eles também se tornaram ferramentas de
produtividade.
Então, eu, que sou jornalista, quando entro no
Twitter é porque preciso me informar; a cabeleireira no Instagram estará
assistindo a um tutorial; há uma desculpa para todos.
O vício é o
mesmo, mas cada um o administra de maneira diferente. E dizemos a nós
mesmos que não é um vício, mas que estamos ficando atualizados e mais
produtivos.
BBC News Mundo - Poderíamos nos caracterizar como viciados em tecnologia?
Peirano - Não
somos viciados em tecnologia, somos viciados em injeções de dopamina
que certas tecnologias incluíram em suas plataformas. Isso não é por
acaso, é deliberado.
Há um homem ensinando em Stanford (universidade) àqueles que criam startups para gerar esse tipo de dependência.
Existem
consultores no mundo que vão às empresas para explicar como provocá-la.
A economia da atenção usa o vício para otimizar o tempo que gastamos na
frente das telas.
BBC News Mundo - Como você fala no livro, isso também
acontece com a comida, certo? Somos manipulados por cheiros,
ingredientes, e nos culpamos por falta de vontade e autocontrole (na
dieta, por exemplo).
Peirano - É quase um ciclo de abuso, porque a empresa contrata 150 gênios para criar um produto que gera dependência instantânea.
Seu
cérebro é manipulado para que a combinação exata de gordura, açúcar e
sal gere uma sensação boa, mas como isso [a combinação] não nutre o
corpo, a fome nunca passa, e você experimenta um tipo de curto-circuito:
seu cérebro está pedindo mais, porque é gostoso, mas o resto do seu
corpo diz que está com fome.
Como no anúncio da Pringles, "Once
you pop, you can't stop" [depois que você abre, não consegue parar, em
tradução livre]. O que é absolutamente verdade, porque abro um pote e
até que eu o coma inteiro, não consigo pensar em outra coisa.
Então,
dizem: 'bem, isso é porque você é um glutão'. O pecado da gula! Como
você não sabe se controlar, vou vender um produto que você pode comer e
comer e não fará você engordar, os iogurtes light, a Coca-Cola sem
açúcar.
E a culpa faz parte desse processo. No momento, no Vale
do Silício, muitas pessoas estão fazendo aplicativos para que você gaste
menos tempo nos aplicativos. Esse é o iogurte.
BBC News Mundo - Essa conscientização, de entender como funciona, ajuda? É o primeiro passo?
Peirano - Acho que sim. Também percebo que o vício não tem nada a ver com o conteúdo dos aplicativos.
Você
não é viciado em notícias, é viciado em Twitter; não é viciado em
decoração de interiores, é viciado em Pinterest; não é viciado em seus
amigos ou nos seus filhos maravilhosos cujas fotos são postadas, você é
viciado em Instagram.
O vício é gerado pelo aplicativo e, quando
você o entende, começa a vê-lo de maneira diferente. Não é falta de
vontade: eles são projetados para oferecer cargas de dopamina, que dão
satisfação imediata e afastam de qualquer outra coisa que não dá isso na
mesma medida, como brincar com seu filho, passar tempo com seu
parceiro, ir para a natureza ou terminar um trabalho — tudo isso exige
uma dedicação, já que há satisfação, só que não imediata.
BBC News Mundo - De tudo o que você cita, manipulações, vigilância, vícios, o que mais a assusta?
Peirano - O
que mais me preocupa é a facilidade com que as pessoas estão
convencidas a renunciar aos seus direitos mais fundamentais e a dizer:
quem se importa com meus dados? Quem se importa com onde eu estive?
Há
40 anos, pessoas morriam pelo direito de se encontrar com outras
pessoas sem que o governo soubesse suas identidades; pelo direito de ter
conversas privadas ou pelo direito de sua empresa não saber se há uma
pessoa com câncer em sua família.
Custou-nos muito sangue para
obtê-los (os direitos) e agora estamos abandonando-os com um
desprendimento que não é natural — é implantado e alimentado por um
ecossistema que se beneficia dessa leveza.
BBC News Mundo -
Quando você envia um email, sabe que outros podem lê-lo, mas de fato
pensamos: quem se importará com o que eu escrevo?
Peirano - Ninguém
realmente se importa, até o momento que se importe, porque todo esse
material é armazenado e, se estiver disponível para o governo, ele terá
ferramentas para contar qualquer história sobre você. E você não poderá
refutá-lo.
Se o governo quiser colocá-lo na cadeia porque você
produz um material crítico, ele pode encontrar uma maneira de vinculá-lo
a um terrorista. Bem, talvez seus filhos tenham estudado juntos por um
tempo e possa ser mostrado que as placas dos seus carros coincidiram
várias vezes na mesma estrada por três anos. Nesse sentido, seus dados
são perigosos.
BBC News Mundo - Você diz no livro que "2,5 quintilhões de
dados são gerados todos os dias", incluindo milhões de e-mails, tuítes,
horas de Netflix e pesquisas no Google. O que acontece com tudo isso?
Peirano - Estamos
obcecados com nossos dados pessoais, fotos, mensagens... Mas o valor de
verdade é estatístico, porque suas mensagens, com as de outras bilhões
de pessoas, informam a uma empresa ou a um governo quem somos
coletivamente.
Eles os usam primeiro para os anunciantes. E depois para criar previsões, porque este é um mercado de futuros.
Eles
sabem que quando, em um país com certas características, o preço da
eletricidade sobe entre 12% e 15%, acontece X; mas, se sobe entre 17% e
30%, outra coisa Y acontece. As previsões são usadas para manipular e
ajustar suas atividades — para saber, por exemplo, até onde você pode
prejudicar a população com o preço das coisas antes ela se revolte
contra você ou comece a se suicidar em massa.
BBC News
Mundo - Como o que aconteceu no Chile, com manifestações motivadas
inicialmente pelo aumento no preço da passagem do metrô..?
Peirano - Talvez
o governo chileno não esteja processando dessa maneira, mas o Facebook
está, o Google está — porque todas as pessoas na rua têm o celular no
bolso. E elas o carregaram durante os últimos anos de sua vida.
O
Facebook sabe em que bairros aconteceu o que e por quê; como as pessoas
se reúnem e como se dispersam; quantos policiais precisam chegar para
que a manifestação se dissolva sem mortes.
BBC News Mundo - Mas quem está disposto a ficar sem o celular, a internet? Qual é o caminho para o cidadão normal?
Peirano - O
problema não é o celular, não é a internet. Todas as tecnologias das
quais dependemos são ferramentas da vida contemporânea, voluntariamente
as colocamos em nossos celulares. Mas elas não precisam da vigilância
para funcionar, nem precisam monitorar você para prestar um serviço.
Eles não precisam disso, o que acontece é que a economia de dados é
muito gulosa.
BBC News Mundo - Os negócios são tão lucrativos que vão continuar a fazê-lo da mesma maneira ainda que tentemos impor limites?
Peirano - É
muito difícil para um governo enfrentar tecnologias que facilitam esse
controle populacional, que é interessante. Mas a ideia é exigir que isso
aconteça.
Se, agora, você desativar todos os sistemas de geolocalização do seu celular, eles continuarão a geolocalizá-lo.
Assim
como no Facebook ou no Twitter, em que você pode bloquear o que posta
para algumas pessoas ou para todos — somente você... e o Facebook veem. O
que acontece nos centros de dados deles, acontece para você e para
eles. Você não pode bloquear o Facebook, porque você está no Facebook.
BBC News Mundo - Você está sugerindo que precisamos nos rebelar e exigir privacidade?
Peirano - Mas não contra empresas. É natural que elas se beneficiem de uma fonte de financiamento tão barata e gloriosamente eficaz.
O
que não é natural é que um governo destinado a proteger os direitos de
seus cidadãos o permita. E a questão é que cada vez mais governos chegam
ao poder graças a essas ferramentas.
Então, o que deve ser feito?
Precisamos começar a transformar essa questão fundamental em um debate
política nos níveis local e mais amplo, ou seja, em ação coletiva, ação
política.
BBC News Mundo - Esse debate está acontecendo em algum lugar do mundo?
Peirano - Nas
primárias democratas da campanha presidencial dos EUA deste ano, essa é
uma das questões cruciais. Está em debate se essas empresas devem ser
gerenciadas de outra maneira ou serem fragmentadas, porque além de tudo
também são um monopólio.
No entanto, na Europa e na América
Latina, nos cansamos de falar sobre notícias falsas, seus efeitos,
campanhas tóxicas... Na Espanha, houve três eleições gerais em três anos
e nenhum político fala sobre isso.
BBC News Mundo - O sistema é nosso inimigo, então?
Peirano - Somos
integrados a e dependemos de sistemas que não sabemos como funcionam ou
o que querem de nós. Facebook, Google e outros dizem que querem que
nossa vida seja mais fácil, que entremos em contato com nossos entes
queridos, que sejamos mais eficientes e trabalhemos melhor, mas o
objetivo deles não é esse, eles não foram projetados para isso, mas para
sugar nossos dados, nos manipular e vender coisas.
Eles nos exploram e, além disso, somos cada vez menos felizes e menos produtivos, porque somos viciados [na tecnologia].